sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O vestir de cada um

No dia 22 de novembro de 2010, aconteceu o primeiro encontro dos seminários de literatura brasileira da Universidade Federal do Recôncavo Baiano. Na ocasião, a estudante da disciplina Literatura Brasileira, ministrada por Carlos Ribeiro, apresentou a comunicação O VESTIR DE CADA UM sobre o livro 3 VESTIDOS E MEU CORPO NU. Agora, o texto está disponível da internet, no link abaixo


ou ainda

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Vão das Letras


Vão das Letras fechará o ano com música e poesia

A programação cultural contará com apresentação do Grupo Viola de Arame e bate-papo com os escritores Goulart Gomes, Marcus Vinícius, Lucas Jerzy e Rafael dos Prazeres

A última edição da Feira de Livros Vão das Letras de 2010, promovida pelo Núcleo do Livro, Leitura e Literatura da Fundação Pedro Calmon/SecultBa, em parceria com o Teatro Castro Alves e a Câmara Bahiana do Livro (CBaL), ocorrerá no dia 19 de dezembro, das 12h30, às 18h, no Vão Livre do TCA (Campo Grande). O evento trará uma variedade de livros com preços especiais de final de ano, além de uma programação cultural, voltada para a promoção da música, do livro e de autores baianos.

No local, o público também terá acesso a artesanato do Bazar da Rampa. A entrada é gratuita e aberta a toda família. A Feira acontecerá junto ao projeto Domingo no TCA que, neste dia, trará o Balé Teatro Castro Alves, apresentando a montagem “À Flor da Pele”, na Sala Principal, às 11 horas, com ingressos a R$ 1 (inteira), sendo vendidos no mesmo dia, a partir das 9 horas, com o acesso imediato do público.

A abertura da Feira será com o show instrumental do grupo Viola de Arame, que apresentará ao público um repertório que passeia pelos ritmos e melodias do samba chula, do pagode de viola, do baião, do choro, e ainda outras fusões inusitadas, através de releituras de temas populares e de composições próprias. Os músicos multi-instrumentistas, Júlio Caldas e Cássio Nobre, apresentam neste trabalho alguns dos resultados de suas experiências com a viola caipira (ou viola de arame).

Escritores - Para o momento da Conversa com o Escritor, o NLLL convidou quatro artistas da palavra, que falarão sobre suas vivências criativas e participação em concursos literários. Os escritores que estarão em contato com o público serão Goulart Gomes, Marcus Vinícius, Lucas Jerzy e Rafael dos Prazeres, autores que têm em comum o fato de todos terem ganhado prêmios no Estado do Paraná em 2009. Marcus Vinícius ficou em primeiro lugar no Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio – 2009, da Secretaria de Cultura do Paraná, com o conto: A omoplata. Neste mesmo concurso, Lucas Jerzy foi indicado para menção honrosa, com o conto: Os galos. Já Goulart Gomes e Rafael dos Prazeres foram contemplados no Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody 2009, da mesma Secretaria, com menção honrosa, com os poemas: Pluvial(Goulart) e Hipertexto de Fidelidade (Rafael).

A Feira é uma realização do Núcleo do Livro, Leitura e Literatura da Fundação Pedro Calmon/SecultBa, em parceria com o Teatro Castro Alves e a Câmara Bahiana do Livro (CBaL). No Vão das Letras, os soteropolitanos encontrarão exposição de livros das livrarias RV Quadrinhos e Mídia Louca, além das editoras Grupo Editorial Record, Edufba e os Sebos Cantinho da Pituba e Sebo Praia dos Livros, entre outros. Outras editoras e escritores independentes interessados em comercializar suas obras no local, devem procurar a CBaL para confirmar sua presença.

Biografias - Goulart Gomes nasceu em Salvador. É administrador de empresas, com pós-graduação em Literatura Brasileira e em Gestão de Comunicação Integrada. Fundador do Grupo Cultural Pórtico (1995) e criador da linguagem poética Poetrix (1999). Obteve 65 prêmios em concursos de poesia, prosa e festivais de música e participou de 48 coletâneas publicadas no Brasil, Cuba, Espanha, USA, Itália, França e Coréia do Sul.

Marcus Vinícius Rodrigues nasceu em Ilhéus-BA, é advogado, professor, e Mestre em Letras pela UFBA. Publicou os livros Pequeno inventário das ausências(Prêmio Brasken) - poesia; 3 vestidos e meu corpo nu (Ed P55, 2009) - contos. Já participou de várias antologias, e é ganhador de diversos concursos literários.

Lucas Jerzy psicólogo, pós-graduado em Saúde Mental pela FAMED-UFBA. Mantém o blog de crítica cultural O Último Baile dos Guermantes (www.ultimobaile.com). Tem contos, crônicas e poemas premiados e agraciados com menção honrosa em diversas premiações literárias de âmbito nacional como a XX Noite Nacional de Poesia (3º lugar, Campo Grande, MS, 2007), Fundação Cultural de Canoas - RS (1º lugar, crônicas, 2009).

Rafael dos Prazeres é natural de Recife-PE e radicado em Salvador-BA há 20 anos. Professor da língua Portuguesa e graduado em Língua e Literaturas Inglesas, é autor de textos publicados em jornais da Bahia, Paraná e Rio de Janeiro; em revistas universitárias e na internet. No último ano publicou Simbiose, livro de poesia; um verbete no Dicionário de Personagens Afro-Brasileiras.

Serviço:

O que: Feira de Livro Vão das Letras

Onde: No Vão Livre do Teatro Castro Alves – Campo Grande

Quando: Dia 19 de dezembro (domingo), das 12h às 18h

Quanto: Grátis

Contato: (71) 3116-6677

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Diálogos - Panorama da nova poesia grapiúna

Mais conhecida fora da Bahia por conta da obra de Jorge Amado e Adonias Filho, a região Grapiúna, cujas cidades pólo são Ilhéus e Itabuna, onde se desenvolveu o cultivo do cacau, também viu nascerem poetas de fundamental importância para a literatura baiana, como Adelmo Oliveira, Ildásio Tavares, Abel Pereira e Florisvaldo Mattos, apenas para citar alguns.

Calcados nessa forte tradição, uma nova geração de poetas grapiúnas foram apresentados em Diálogos – Panorama da Nova Poesia Grapiúna (Ilhéus/Itabuna: Via Litterarum/Editus, 2009), obra organizada pelo poeta e ensaísta Gustavo Felicíssimo. Aos dez antologiados da primeira edição – Edson Cruz, Heitor Brasileiro Filho, Noélia Estrela, Piligra, George Pellegrini, Rita Santana, Fabrício Brandão, Daniela Galdino, Mither Amorim e Geraldo Lavigne – juntam-se, agora, em segunda edição, mais dois poetas – André Rosa e Marcus Vinícius Rodrigues – dessa vez com sete poemas cada um, contra cinco da primeira edição. São doze poetas (alguns deles bastante premiados) que já estão inseridos entre aqueles que produzem a melhor poesia baiana, quiçá brasileira, deste início de século.

A segunda edição, revista e ampliada, de Diálogos, será lançada no próximo dia 11 de dezembro, às 18 horas, na Academia de Letras de Ilhéus, oportunidade em que haverá um bate-papo com Jorge de Souza Araújo, prefaciador da obra, sobre a poesia baiana contemporânea.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

EVENTOS

TERRITÓRIOS DA FICÇÃO - BRASIL SÉCULO XXI
Auditório Hansen Bahia.

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA

CAMPUS II

O seminário TERRITÓRIOS DA FICÇÃO – BRASIL SÉCULO XXI terá início no dia 22/11, das 14 às 17 horas, no auditório da Fundação Hansen Bahia, com uma mesa-redonda sobre o tema Espaços da intimidade na ficção contemporânea, da qual participarão os escritores Állex Leilla e Marcus Vinícius Rodrigues. Serão lançados os livros Primavera nos ossos, de Állex Leilla (romance. Editora Casarão do Verbo, 2010) e Cada dia sobre a terra, de Marcus Vinícius Rodrigues (contos. EPP Edições, 2010) e feitas comunicações pelas alunas Janaína Ezequiel França (O sol que a chuva apagou, de Állex Leilla), Gabrielle Alano Carcavilla (3 vestidos e meu corpo nu, de Marcus Vinícius Rodrigues, e Laços de família, de Clarice Lispector) e Jana Cambuí Alves Lima (Vestígios da Senhorita B, de Renata Belmonte).



FÓRUM NACIONAL DE CRÍTICA CULTURAL 2:

EDUCAÇÃO BÁSICA E CULTURA:

DIAGNÓSTICOS, PROPOSIÇÕES, NOVOS AGENCIAMENTOS

18 a 21 de novembro de 2010

Dia 19/11/2010 (SEXTA-FEIRA) – SEGUNDO DIA

10:30 às 12:30 – MESAS SEMIPLENÁRIAS (MARGENS DA LITERATURA)

Mesa 2 - Local: Auditório do Campus II

Literatura e mídias: agenciamentos e entre-lugares nas configurações de gênero e sexualidades

Coordenador: Prof. Dr. Paulo Garcia (Pós-Crítica/UNEB)
Convidados:

Pesquisador convidado: Prof. Dr. Djalma Thürler (Instituto de Humanidades, Artes e Ciências – IHAC/UFBA) - Dramaturgia e Produção cultural
Personalidade cultural: Marcus Vinicius Rodrigues, escritor
Personalidade da Educação Básica: Állex Leilla (UEFS)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

CADA DIA SOBRE A TERRA

Enfim, ficou pronto o livro CADA DIA SOBRE A TERRA. Vocês podem ver a capa escaneada. Um livro cor de terra, com letras douradas, mais a ilustração de Fernando Oberlaender, bem na intenção do livro, cuja epígrafe é:


Procura no detalhe o que divino e o que é selvagem.

sábado, 11 de setembro de 2010

CADA DIA SOBRE A TERRA

Chegaram as provas do livro. Agora é revisar. Cada dia é governado por um princípio, uma energia, um Orixá.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

UM EPISÓDIO NA AMAZÔNIA

Humaitá vista do Rio Madeira

Há momentos da vida que ficam para sempre na memória. São vivos e intensos ali no tempo real dos acontecimentos; ganham mais cor logo a seguir, na primeira vez que são contados. Depois, quando guardados no escaninho da alma, vão esgarçando como tecido que se desfaz. É apenas o carinho de lembrar que lhes vem cerzir de novo. É na memória vaga, distante, que ganham sua forma definitiva, suas cores firmes. Tenho uma lembrança assim.

É uma lembrança verde brilhante, mais brilhante ainda por surgir em meio à sombra de uma floresta.

Morei no Amazonas quando criança. Tinha entre 10 e 11 anos quando estivemos em Humaitá, uma cidade pequena no encontro da Transamazônica e o Rio Madeira. Morávamos eu e meus pais. Meus irmãos estudavam em Manaus, no Colégio Militar. Sozinho, eu tinha em meu pai a presença mais constante para brincar. Era ele quem fazia para mim brinquedos de madeira, como uma jangada que guardei por muitos anos.

Um dia, ele resolveu me levar para caçar. De verdade, revendo hoje a história, creio que ele nem pretendia caçar mesmo. Era apenas uma aventura nossa juntos. Um passatempo sem objetivo sério. Ele caçava, sim, com os amigos, quando ficava dias fora de casa. Nossa aventura, porém, deveria ser mais leve. Atravessamos o rio Madeira em uma balsa, a outra margem misteriosa que eu via da praça da cidade à noite. Ou melhor, não via, pois para aquele lado não havia cidade. Uma ou outra casa mal iluminada por algum candeeiro. Nestas minhas noites olhando para o rio escuro, fantasiava ali o fim do mundo. As estrelas do céu — nunca mais vi tantas — se dobravam no espelho da água escura e ganhavam a companhia daquelas estrelas falsas dos candeeiros. Eu imaginava um abismo para o espaço sideral, o vácuo por onde passava um laboratório espacial, um satélite que ia cair a qualquer momento: o Skylab.

Daquele lado do rio, ficava a Lagoa do Paraíso. Talvez apenas um igarapé mais aberto, sem tantas árvores a lhe cobrir a lâmina d´água. Íamos muito para lá. Meu pai conhecia uma família que morava ali na beira, numa casa alta, preparada para sobreviver às cheias. Não foi bem para lá que fomos nessa viagem. Paramos antes, à beira da estrada, e entramos na mata para a tal caçada. Íamos sem nada além de uma espingarda na mão de meu pai. Entrar na floresta é sempre uma experiência excepcional. Lá dentro é noite. Embaixo das árvores fechadas, algumas com raízes mais altas que meu pai, e pisando apenas em folhas secas, uma camada tal grossa que nem se sente o chão, ali nem se pode pensar que é ainda terra. Tudo é mata, água e mosquitos. Tudo demasiadamente vivo.

E o que é vivo é úmido.

Para mim, aquele era o sentido da expressão ¨boca da Mata¨, que eu ouvia falar então. Só depois notei que em vários lugares se usa a expressão, tão comum como chamar uma cachoeira de véu de noiva.

Distraídos, nós nos perdemos. Ficamos algum tempo rodando sem saber onde ficava a estrada. Muito tempo, pareceu. Foi nessa procura que nos deparamos com um laguinho verde. Ali no meio das sombras daquelas árvores que cobriam tudo apareceu o inusitado de uma clareira sobre um lago redondo, apenas um pouco maior que a sala de minha casa de vila militar. Era inusitado porque tão pouco espaço podia estar também coberto, como tudo. No entanto, aquilo se abria para o céu e o sol entrava inteiro. O lago estava coberto por uma vegetação flutuante que nem sei dizer o que era. Não eram as tais vitórias-régias que já tinha visto tanto e que não me cansava de desenhar nos cadernos da escola. Eram apenas umas folhinhas miúdas e muito verdes e muito brilhantes e muito inesquecíveis.

Dali a algum tempo, ouvimos a estrada e seus carros. Achamo-nos, enfim.

Nunca esqueci dessa minha aventura de criança.

Outro dia, porém, tive notícias do mesmo momento, por um ponto de vista que até agora não conhecia. Foi meu pai quem se lembrou do episódio e, relembrando comigo, perguntou: você não ficou com medo? Eu respondi, muito natural, que não. Ele estranhou. Mas como? Eu fiquei com medo. Então, ocorreu-me algo, tão rápido que nem percebi. Só depois, ouvindo minha voz, surpreendeu-me a frase: é que o senhor estava sozinho com uma criança. Eu estava com meu pai!




domingo, 4 de julho de 2010

A N I V E R S Á R I O






Espraia-se infância
no litoral da vida.

Espraia-se brisa
no mar do tempo.

Chove um minuto
sobre a felicidade do mundo.

Nasci no dia 06/07/19... às 16:45
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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Texto sobre Eros resoluto na Diverso e afins

APERITIVO DA PALAVRA


Por Fabrício Brandão




EROS RESOLUTO - MARCUS VINÍCIUS RODRIGUES





Quem desfolhar as páginas pungentes de Eros Resoluto (Coleção Cartas Bahianas - P55 Edições – Salvador – 2010), novo rebento do autor baianoMarcus Vinícius Rodrigues, certamente irá se deparar com uma narrativa que ousa instaurar algo que pode ser tido como um tempo da delicadeza. Tal expressão sobressai como um trunfo muito bem utilizado pelo escritor para penetrar com densidade num lugar que extrapola os horizontes aparentes do erotismo. Os três contos que perpassam o livro nos falam de certas paisagens íntimas da condição humana, construindo uma trama na qual os seus protagonistas são acometidos por uma varredura psicológica de suas veleidades.


acessem a revista para ler a continuação do texto:


http://www.diversos-afins.blogspot.com/

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sábado, 19 de junho de 2010

segunda-feira, 7 de junho de 2010

I Colóquio sobre Modos de produção e circulação artístico-cultural

Dia 10/06/2010, quinta-feira, estarei no I Colóquio sobre Modos de produção e circulação artístico-cultural a ser realizado em Alagoinhas-BA, na Biblioteca Municipal Maria Feijó, às 14h.

domingo, 6 de junho de 2010

Crônica de Affonso Romano de Sant'Anna citando o conto "A omoplata"

Crônica de Affonso Romano de sant'Anna em qu cita o conto "A omoplata', que está no livro Eros resoluto


SEXO, FACA E MORTE


(CRÔNICA) PostadA por Affonso Romano de Sant'Anna, em 05/06/2010, às 23:25
LINK: http://www.affonsoromano.com.br/blog/index.php




Há alguns anos o diretor de teatro, Luiz Antônio Martinez Correia (irmão de José Celso), que morava aqui perto de minha casa, em Ipanema, foi assassinado com facadas.
Há alguns anos, Aparício Basílio, artista e amigo, conhecidíssima figura do soçaite de Rio e São Paulo foi assassinado da mesma forma em São Paulo.
Há alguns anos, meu amigo Almir Brunetti, também morreu esfaqueado em Brasília, Conheci-o primeiro em New Orleans, onde ele era professor, e depois o revi várias vezes na Universidade de Brasília e no Rio.
Com algumas variantes, ocorre-me a lembrança do memorialista Pedro Nava, do editor Emanuel Brasil e do meu aluno Maurício que escreveu uma tese sobre "O duplo".
Esta semana morreu esfaqueado em Curitiba o escritor Wilson Bueno, que também conheci. Ele é autor de alguns livros instigantes, dirigiu o jornal "Nicolau" e escreveu um livro prevendo a futura mistura do português e do espanhol.
Faca, sexo e morte.
Que estranha atração imanta essas palavras e estraçalha vidas?
Que percepção patética teve Freud quando decifrou alguns dos símbolos que organizam nossas pulsões?
Pois há alguns meses li um conto de Marcus Vinícius Rodrigues intitulado "A Omoplata" e fiquei impressionado, impressionadíssimo. É um dos mais tocantes e bem escritos textos sobre essa nebulosa margem entre o crime e o amor, entre o desejo e o perigo.
Eu havia conhecido Marcus Vinícius há uns dois anos quando fizemos, com outros escritores, uma série de conferências no interior da Bahia. Mas só vim recentemente a ler aquele conto sobre a relação erótica entre um homem e um "menino". Semana passada, por coincidência, em Salvador ele assistia a uma palestra minha e me deu esse conto publicado num livrinho "Eros Resoluto" (Ed.Cartas Baianas).
O conto, como uma navalhada na carne, é de uma precisão fatal. Começa com uma indagação: "E essa cicatriz?". E faz uma pequena descrição de uma cicatriz que um dos amantes tem na omoplata. "Ele passou a mão pela omoplata esquerda do outro. Era um risco em diagonal. Começava perto do ombro, o esquerdo, e ia descendo e se aproximando da coluna. Ele estava deitado de costas na cama. O outro, de bruços sobre ele, as pernas sobre seu ombro direito, abraçado em suas pernas. Nus. Ele acariciava o corpo do outro, as coxas, a bunda, as costas, numa lenta preguiça.
-Parece que lhe arrancaram uma asa".
E o conto prossegue numa atmosfera ambígua, difusa em que sexo, ameaça e perigo se atraem.
A cicatriz parece feita com faca. É uma sugestão. O texto é cortante. O menino parecia um anjo e um anjo perverso. Corpos e mentiras se entrelaçam. A cicatriz lembrava corte de faca, mas podia ser o esforço para se implantar ali uma asa de anjo. Tudo era falso e verdadeiro: "encontrado na rua, um menino que poderia ser um assaltante, tão falsa aquela história do colégio de freiras" que teria originado a cicatriz.
E a história vai para seu desfecho trágico, não narrado diretamente, mas sutil e inteligentemente sugerido. Depois de diálogos, brincadeiras, ameaças veladas e declarações de amor, o personagem dirige-se à cozinha onde nota a ausência de uma faca. "Na ordem absoluta havia apenas uma falha: a gaveta de talheres imperceptivelmente entreaberta. Um alarme estourou na sua cabeça. Ele não abriu a gaveta, mas o que não via se mostrava nítido em seus olhos. Parecia tão claro. Todas as cenas voltaram como um relâmpago. As conversas. Tudo em velocidade, até um momento se fixar. O sorriso do menino tilintando atrás de uma frase:
-Quem te salva?
Ele lembrou. Num instante rápido, quis que nada disto tivesse acontecido, queria não ter se deixado levar por... Devia ter tomado mais cuidado. Queria retroceder, escapar, mas tinha ido longe demais, já estavam num ponto em que não se pode mais voltar".

(*) Estado de Minas/ Correio Braziliense


RESULTADO DO SORTEIO

Caríssimos, aqui está o resultado do sorteio:
Como se lembram, seriam sorteados dois livros. Um para quem postasse o primeiro comentário e outro a ser sorteado pelo quarto número da mega sena. A primeira a postar comentário foi Mai, que já recebeu seu livro. Vamos agora ver o segundo livro. para isso, vou começar a contar de 01 a 35 (quarto número sorteado ontem) incluindo todos os comentários do post. Inclui os cometários de Mai. De qualquer forma é sorte.


Ganhou Mr_P

Parabéns!!!

sábado, 22 de maio de 2010

Sorteio de Eros resoluto

Caros,

Vou sortear 2 exemplares do Eros resoluto para os seguidores do blog (quem ainda não for, só precisa dar um clique em seguir). Basta fazer um comentário neste post. O sorteio será assim. Quem fizer o primeiro post ganha automaticamente. O outro livro será sorteado da seguinte maneira. Pegarei o quarto maior número sorteado na mega sena do dia 05/06 e começarei a contar incluindo o primeiro comentário até achar o sorteado. Se cair no primeiro comentário, seguirei para o próximo.

Os ganhadores mandam endereço por e-mail e eu envio o livro.

DAMÁRIO DACRUZ (27/07/1953 - 21/05/2010)

Não há quem não tenha lido. Nas vitrines das livrarias da cidade de Salvador lá estava o cartaz. Li muitas vezes o poema Todo risco na minhas idas ou passagens por livrarias. Naquela época, ainda adolescente, nem imaginava que os meus rabiscos um dia seriam publicados, eu apenas escrevia, no risco.

Estive muitas vezes com o poeta nos mesmos eventos. Daqui da minha timidez, apenas cumprimentava. Em todas as vezes, senti a vontade de lhe dizer o quanto eu gostava do poema. Tenho certeza de que não sou o único. Não há quem não tenha lido, quem não tenha, mesmo em seu íntimo, seguido os trilhos abertos pelo poema.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Partículas

Dois instantes por vez

na contagem da vida:

a cada ferida, uma cura

a cada dor, escura que seja,

outra vez a faísca.

Vês como meço o horizonte?

Cada passo por vez

e cada vez mais rápido,

até, talvez, o último passo.

Sempre a três o divino se serve,

na espera do último juízo:

fazer-se único e eterno

ao fim de tudo que é breve.

E não são de breves e fugazes

pequenas muitas partes

que se fazem tantos todos:

o absoluto dos incapazes?

É a vitória dos instantes

que a vida nos reclama.

Agora mesmo faltou-me

a destreza, escapou-me

a medida da hora.

*



De não saber é que se alimenta o mistério.

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desenhos feitos no iphone

sábado, 8 de maio de 2010

Gato por Bárbara Tércia

No dia do lançamento de Eros resoluto, minha amiga Bárbara Tércia fez uns rabiscos no meu celular, assim sem querer, aleatoriamente. Quando olhei, vi esse gato aí em cima.

Conheçam o trabalho dela em http://www.barbaratercia.com/

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Enfim, ao leitor

Enfim, o livro é entregue ao leitor, que fará dele o que quiser. Agora não importam todas as hesitações diante do branco luminoso da tela do computador; não importam os meses, anos, em que o texto hibernou nas gavetas reais e virtuais do escritor. O leitor não sabe de quantos pedaços de memória, de quantos fiapos de delírio, de quantas leituras e referências foi feito o livro. O escritor deixou pistas, algumas, falsas e verdadeiras; escondeu outras...

Agora é esperar e ver surgir dos comentários outros livros.


segunda-feira, 3 de maio de 2010

Eros resoluto e 3 vestidos e meu corpo nu

amanhã, 04/05, terça, lanço pela Coleção Cartas Bahianas, o livro

EROS RESOLUTO, contos

na mesma coleção já lancei o livro, também de contos,

3 VESTIDOS E MEU CORPO NU


ambos podem ser encontrados na livraria em que ocorrerá o lançamento: TOM DO SABER, no Rio vermelho

para quem nào é de Salvador, é possível pedir diretamente à editora P55. www.p55.com.br

sábado, 1 de maio de 2010

Hermaphrodite endormi

Não acorde Hemafrodite
ela/ele dorme em sua dúvida

Hermaphrodite endormi.

Encontrada em Roma, proximidades das termas de Diocleciano.

Obra romana da época imperial. Acervo do Louvre

fotos minhas

domingo, 25 de abril de 2010

Convite Cartas Bahianas

Aí está nosso convite. O livro de Karina não tem uma imagem porque é quase invisível, simples e sofisticado.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Eros resoluto e O livro do quase invisível

O lançamento da Coleção Cartas Bahianas dia 04 de maio de 2010, terça-feira, das 19h às 22h,
será dos livros


Livro do quase invisível
de Karina Rabinovitz (poesia)

e


Eros Resoluto
de Marcus Vinícius Rodrigues (contos)



Livraria Tom do saber, Rio Vermelho
Rua João Gomes, 249 - Localizado no complexo Pirâmide do Rio Vermelho - (71)3334-5677



quarta-feira, 21 de abril de 2010

Eros resoluto

Eros resoluto, pela Coleção Cartas Bahianas

Nasceu o livro. Aí está a capa. A cor não é exatamente essa. Será um tom de rosa mais escuro. Escolhi hoje a cor. Procurava um azul, mas o rosa se impôs.


O desenho da capa é meu. Fiz com o dedo no meu iphone. Já tinha publicado aqui. Aliás, todas as imagens do livro são minhas. Dentro, cada conto é ilustrado com uma foto feita por mim de esculturas. Está muito bonito.


Data do lançamento: 4 de maio de 2010, Terça-feira, na Livraria Tom do Saber, no Rio Vermelho


segunda-feira, 19 de abril de 2010

Para Eugénio de Andrade

Hoje acordei com saudades de Eugénio de Andrade. Aí vai um poema dele e, abaixo, um poema meu para ele, que conheci (os livros) apenas quando já estava perto de sua partida deste mundo. Escrevi o poema quando ele já estava doente.

É urgente o amor.

É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,

ódio, solidão e crueldade,

alguns lamentos,

muitas espadas.

É urgente inventar alegria,

multiplicar os beijos, as searas,

é urgente descobrir rosas e rios

e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz

impura, até doer.

É urgente o amor, é urgente

permanecer.

PARA EUGÉNIO DE ANDRADE

Sei de ti há tão pouco

e tão pouco sei

e ainda assim

sinto-me íntimo.

Tanto é o muito neste pouco.

O que pra mim era o mundo

mostra-se oco

de não te ter no meu passado.

Eu que sou feito de memória e saudade,

esta palavra tão nossa

a unir-nos de porto a porto,

a fazer do mar que nos separa

o mar que nos abraça.

Eu te abraço,

eu te aconchego,

faço-me teu

leito de águas,

antes de vir a barca.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Livros e livros

Há algum tempo disse aqui que estava escrevendo um livro. Estou. Vai ser lançado em agosto, tudo indica. Trata-se de um livro de contos sobre a Bahia e tem, até agora, o nome de CADA DIA SOBRE A TERRA.

Antes, porém, uma surpresa.

Parece que vou lançar outro livro ainda em maio, dia 4, pela coleção Cartas Bahiana, da P55.

O livro se chama EROS RESOLUTO e tem três contos apenas. Os contos têm como temática o desejo homoerótico e entre eles está A OMOPLATA, conto que venceu o concurso Newton Sampaio 2009, da Secretaria de Cultura do Paraná.

Os outros dois contos são:

A PAZ QUE CHEGA NO DEPOIS e

A TARDE DE UM FAUNO

Darei mais informações quando tudo se confirmar.

A tarde de um fauno, Flory Gama, 1948,
Museu de Belas Artes, Rio de Janeiro. foto minha.

domingo, 28 de março de 2010

S.O.T.E.R.Ó.P.O.L.I.S

Esta cidade,

que se despeja poente abaixo,

calçada de pedra,

antiga e moderna

no jeito de deslizar contorcida,

difíceis as subidas de suas ladeiras,

esta cidade não se salva.


Na forma como canta

sempre o sol que deita

e de como se espanta

do dia quente que a encontra

ainda no deleite do amor,


e esse homem

lhe contando as lendas

cativante e antigo,

e esse outro arrancando-lhe

o futuro do umbigo,


e a espera

nesta beira de terra

debruçada sobre o mar,

como aquela deusa vaidosa

ou aquela outra,


a face multiplicada nas águas

devastando o tempo

os seus mirantes cansados.


Esta cidade não se salva.

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segunda-feira, 8 de março de 2010

sexta-feira, 5 de março de 2010

L'albatros par Charles Baudelaire

Souvent, pour s'amuser, les hommes d'équipage
Prennent des albatros, vastes oiseaux des mers,
Qui suivent, indolents compagnons de voyage,
Le navire glissant sur les gouffres amers.

A peine les ont-ils déposés sur les planches,
Que ces rois de l'azur, maladroits et honteux,
Laissent piteusement leurs grandes ailes blanches
Comme des avirons traîner à côté d'eux.

Ce voyageur ailé, comme il est gauche et veule!
Lui, naguère si beau, qu'il est comique et laid!
L'un agace son bec avec un brûle-gueule,
L'autre mime, en boitant, l'infirme qui volait!

Le Poète est semblable au prince des nuées
Qui hante la tempête et se rit de l'archer;
Exilé sur le sol au milieu des huées,
Ses ailes de géant l'empêchent de marcher.



O Albatroz
Tradução de Ivan Junqueira

Às vezes, por prazer, os homens da equipagem
Pegam um albatroz, imensa ave dos mares,
Que acompanha, indolente parceiro de viagem,
O navio a singrar por glaucos patamares.

Tão logo o estendem sobre as tábuas do convés,
O monarca do azul, canhestro e envergonhado,
Deixa pender, qual par de remos junto aos pés,
As asas em que fulge um branco imaculado.

Antes tão belo, como é feio na desgraça
Esse viajante agora flácido e acanhado!
Um, com o cachimbo, lhe enche o bico de fumaça,
Outro, a coxear, imita o enfermo outrora alado!

O Poeta se compara ao príncipe da altura
Que enfrenta os vendavais e ri da seta no ar;
Exilado no chão, em meio à turba obscura,
As asas de gigante impedem-no de andar.