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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Poemas para o Espetáculo de Dança Vous Doux



Este Poemas fora inspirados no espetáculo Vous Doux de meu irmão Allexandre Coutto. 

Clique nas fotos para ampliar e ler.

Mais informações no blog do espetáculo: http://vousdoux.blogspot.com.br


























domingo, 1 de março de 2015

CINCO POEMAS CEGOS






UM

O barco perdido na madrugada
não sabe se vai no rio ou já é mar

e, por não saber assim quase nada
do que deixou e do que encontrará,

faz de destino as águas que navega,
faz de seu fim, porto, seguir às cegas.



DOIS

Se todas as portas da praça
estão para nós abertas,

as fugas possíveis todas;
se o dia de tão claro cega

esse olhar que em volta vaga,
por que vai assim aqui dentro

as galés de um sentimento
de que a vida está trancada?



TRÊS

Pelo jardim a formiga
herda de mim a cegueira.

Ela perdeu-se da fila
e num mundo em que poeira

são montanhas e avalanches
a formiga, sem a linha

que lhe diz trilha certeira,
não mais volta nem mais segue.

Eu brinco com a formiga.
Somos dois seres entregues.



QUATRO

Chamam luz
das artérias
esse vão,
a passagem
em que o sangue
corre a vida.

A corrida
é vermelha
sem chegada
ou partida.

Gira cega
pelo corpo,
até a morte,
infinita.



CINCO

nunca os olhos nus
míope que sempre fui

sempre através
atrás

das grades
das lentes

vida refratada
ou escura

sempre a fratura
fissura e fissão

núcleo da vida






Escritos entre 23/02/2015 e 25/02/2015

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O SORRISO DE LAERTE (Alex Smões)



porque quando nos sonhos parecia
tudo bem melhor
não era
sonho.

parecia
bem melhor
que a vida
e não valia a pena
que escrevia e desenhava
à pena
a duras penas
não valia

a vida sem sentido
dá avisos
há vida pulsando
o tempo urge
e às vezes dói lembrar

então seguir em frente
desenhando  esquinas
com a ponta do salto o pivô
sabendo tudo muito sério
inclusive o sorriso estampado
e a lisura do vestido.

a moda agora é sóbria,
nós não podemos ser.

é uma questão política:
o contraste é estratégia
de quem milita a alegria.





O VESTIDO DE LAERTE


Dedicado a Laerte Coutinho


Um corpo que se mude, ainda que tarde,
de umas calças surradas para o vestido,
há muito ele sabe: vestir é impreciso.

E se esse corpo, por função, domina o risco
e tem firme a mão para o traço fino,
sua mudança de panos faz mais alarde.

Ele se veste e revela-se nova casa
e então se refaz um novo destino:
desenhar desejos mais despidos.

Um corpo que se trace nova forma,
um charme assim característico,
mais que transformar-se, faz arte.

Marcus Vinícius Rodrigues


(Poema feito a pedido do poeta Alex Simões)

domingo, 21 de abril de 2013

111



Chamas
nas grades
abertas.
Chamam-se
nomes
ao gritos.

111 nomes,
111 filhos.

Sem resposta.

In "Pequeno inventário das ausências". Salvador: Fundação casa de Jorge Amado, 2001.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Ao leitor


Decide por mim esse verso,
que o dia se faz pressa.

Hesitar é interdito e
as horas reclamam passar.

Decide a rima, sentencia a métrica,
que não há mais o que eu possa.

Todo o poema implora
um leitor que o faça. 

quarta-feira, 13 de março de 2013

A ESTRUTURA DA BOLHA DE SABÃO


Para Lygia Fagundes Telles

 

Pele impossível

que aprisiona hálitos,

criando provisórios claros.

Coesão flutuante e fluida,

Refletindo mil espaços.

 

Lagartos, gatos, ratos.

 

Uma mulher escrevendo

no olho verde e dourado

da estrutura improvável.

 

RODRIGUES, Marcus Vinícius. Pequeno inventário das ausências. Salvador: Fundação casa Jorge Amado, 2001

sábado, 9 de março de 2013

EUCARISTIA


Dissolve-se na
minha boca
o gosto.

Percorro contrito
o corpo.
Lambo, arranho, mordo
ombros,
peitos,
dorso.

E escorre-se você
em fluidos de gozo.

Corpo do meu corpo,
sangue do meu sangue.

Límpido,
lívido,
vívido,
líquido
santo.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Zona de perigo


Há os que anseiam
e os que interpretam
os sensuais signos.
Há os que estão na zona de perigo.

Há os que esperam
e os que passeiam
seus latentes cios.
Há os que estão na zona de perigo.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Do meu amor seus olhos


Direi do meu amor seus olhos
porque os vi primeiro quase que outros

em algo como um espelho, algo metálico.
Eles me olhavam fantasmas quase que mágicos,

eram dois e dourados na superfície prata,
fixos em mim, presos, como se guardas.

Eu o amei sem o ver inteiro: o meu amor,
naquele instante de fantasmagoria.

Direi do meu amor o que não era
sem jamais saber o que seria.