sábado, 14 de maio de 2016

A ETERNIDADE DA MAÇÃ - Playlist com as músicas que inspiraram o livro

A ETERNIDADE DA MAÇÃ é o livro vencedor do Prêmio nacional de literatura da Academia de Letras da Bahia. Todos os contos foram inspirados em músicas de Caetano Veloso

Pecado original




[1976] A ALMA DO DIABO

Maria Bethânia

https://www.youtube.com/watch?v=SvsAOZv-QYY



[1972] SOB O SOL QUENTE DE UMA TARDE DE NATAL

In the hot sun of a christmas day

https://www.youtube.com/watch?v=ybCImnJbiME

Clever boy samba

https://www.youtube.com/watch?v=8EOsOUQx7Yc



[1969] BARCO VAZIO

The empty boat

https://www.youtube.com/watch?v=EjNanbciqSE

Os argonautas

https://www.youtube.com/watch?v=1sXg-XcP9wM



[1964] A FLOR E A ESTRELA

É de manhã

https://www.youtube.com/watch?v=fFmf0BUyMw0



[1974] LONGE DAQUI

Alguém cantando

https://www.youtube.com/watch?v=ha5XJYsIru0

Ele me deu um beijo na boca

https://www.youtube.com/watch?v=BYiaFhJHwTY



[1972] DIGA QUE VOCÊ MORRERIA POR MIM

Shoot me dead

https://www.youtube.com/watch?v=Cz4NwhsV-OE



[1978] QUALQUER COISA QUE SE SONHARA

Odara

https://www.youtube.com/watch?v=ROE9j3hr290

Um frevo novo

https://www.youtube.com/watch?v=5vTfcfBPnsw



sexta-feira, 6 de maio de 2016

Prêmio Nacional da Academia de Letras da Bahia


https://academiadeletrasdabahia.wordpress.com/2016/05/06/alb-define-vencedor-de-premiacao-nacional/


Prêmio Nacional da Academia de Letras da Bahia divulga vencedor


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O livro de contos A eternidade da maçã, do autor Marcus Vinicius Couto Rodrigues, foi eleito em 2016 a obra vencedora do Prêmio Nacional da Academia de Letras da Bahia. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (05.05) pela Comissão Julgadora, composta pelos acadêmicos Aleilton Fonseca, Gerana Damulakis e Carlos Ribeiro, que classificaram a publicação como “excelente, com pleno domínio da linguagem e do processo narrativo, em equilíbrio com as ideias e os temas, destacando-se ainda a estrutura orgânica do conjunto dos contos”. Cento e oitenta e oito trabalhos (188), de diferentes regiões do país, concorreram ao Prêmio Nacional ALB – 2016.
Contemplado pelo Edital Arte em Toda Parte – Ano III, da Fundação Gregório de Mattos, órgão da Prefeitura de Salvador, o Prêmio Nacional Academia de Letras da Bahia premiará o vencedor com o valor de R$ 15 mil reais e a publicação do livro por uma editora nacional. A solenidade de entrega será no dia 30 de junho, em ato público na sede da ALB.
Sobre o autor 
Marcus Vinícius Rodrigues nasceu em Ilhéus-BA e vive em Salvador. Escreve ficção e poesia. Publicou os livros “Pequeno inventário das ausências” (Poesia, Prêmio Fundação Casa de Jorge Amado, 2001); “3 vestidos e meu corpo nu” (Contos, P55 Edições, 2009), “Eros resoluto” (Contos, P55 Edições, 2010), “Cada dia sobre a terra” (Contos, Ed Caramurê/EppPublicidade, 2010), “Se tua mão te ofende” (Novela, P55 Edições, 2014) e “Arquivos de um corpo em viagem” (Poesia, Editora Mondrongo, 2015). Seu conto “A omoplata” venceu o concurso Nacional de contos Newton Sampaio, edição 2009, promovido pela Secretaria de Cultura do Estado do Paraná. Participou das antologias “Concerto lírico a quinze vozes: uma coletânea de novos poetas da Bahia” (Ed. Aboio, 2004) “Os outros poemas de que falei” (Ed Caramurê/EppPublicidade, 2004), “Tanta poesia” (Ed Caramurê/EppPublicidade, 2005), “Outras moradas” (Contos, Ed Caramurê/EppPublicidade, 2007), “Diálogos: panorama da nova poesia grapiúna” (Editus/ Via Literarum, 2010), “Autores baianos: um panorama, volume 2” (P55 edições, 2014), além de figurar no volume “Anos 2000 – Coleção Roteiro da Poesia Brasileira” (Global Editora, 2009). Mantém o blog: cafemolotov.blogspot.com.

VOUS DOUX






sexta-feira, 5 de junho de 2015

EXERCÍCIO: O mesmo disco

Em uma das oficinas do Projeto Escritas em Trânsito, Carol Bensimon propôs os seguinte exercício: escrever um conto com estas frases retiradas de um conto de Caio Fernando Abreu: 1) Ué, você resolveu cuidar de mim, é? 2) O disco tá tocando de novo. Já ouvi esse pedaço. 3) Aqui embaixo diz Produced in China.

O MESMO DISCO

Por Marcus Vinícius Rodrigues

— Ué, você resolveu cuidar de mim, é?
A mão pegajosa já estava em minhas costas. Um cheiro cítrico entrou em meu nariz. Pensei que fosse laranja ou tangerina.
— É essência de bergamota. Não conhecia?
Não conhecia, mas sabia que mesmo que não perguntasse nada, ia saber.
— É ótimo anti-inflamatório. Essa dor logo passa.
As costas relaxavam. Um calorzinho gostoso começava. Quase me arrependi da explosão. Podia ter tido mais paciência.
— E alivia o estresse.
Mas a conversa recomeçou. Eu é que era estressado, eu é que não tinha harmonia com a natureza. Eu é que precisava abrir o chacra cardíaco, meditar numa luz verde.
— Da uma olhada na cor desse unguento.
Estendeu a mão para a frente do meu rosto.  Verde.
— Você vai ficar bom rapidinho.
As costas ou o chacra? Eu quis perguntar, mas isso seria recomeçar a briga. Ia voltar aquela história toda do IChing, sei lá quantos hexagramas, por que eu sou terra, porque não dá pra viver sem saber a hora exata do nascimento. O mapa astral que nunca fiz, o livro de Caio Fernando Abreu que eu nunca li, o seu Caio F., o irmãozinho da Cristiane... já sei, já sei, nem preciso ler pra saber de todas as histórias, mas eu precisava, insistia, era preciso rever o lugar da emoção, ali pelas costas, a massagem por trás do peito, era preciso escutar Keith Jarret suavemente.
— O disco tá tocando de novo. Já ouvi esse pedaço.
Levantou, foi trocar o disco, as mãos verdes. Minha vontade era não deixar. Toda a sujeira verde que ficaria. Mas, se fizesse isso, o disco não pararia de tocar e eu teria de ouvir tudo de novo. O melhor era ficar quieto e esperar que aquela gosma toda entrasse pelas minhas costas e abrisse de vez o chacra.  Me virei para encontrar o frasco, as costas tinham mesmo parado de doer. Era um frasco pequeno e redondo, de vidro escuro, um profundo verde garrafa, sem rótulos nas laterais, mas embaixo tinha uma etiqueta.
— Onde você encontrou isso?
— Na chapada, claro. É natural.  Você devia ir comigo da próxima vez. Ia ser ótimo para você.
O disco recomeçou. O outro lado. Vinis tem dois lados, eu tinha esquecido. Eu sabia que não ia escapar sem luta. Então eu disse:

— Aqui embaixo diz Produced in China.


* Enfiei uns trechos de Bruna Lombardi pelo meio.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Poemas para o Espetáculo de Dança Vous Doux



Este Poemas fora inspirados no espetáculo Vous Doux de meu irmão Allexandre Coutto. 

Clique nas fotos para ampliar e ler.

Mais informações no blog do espetáculo: http://vousdoux.blogspot.com.br


























domingo, 1 de março de 2015

CINCO POEMAS CEGOS






UM

O barco perdido na madrugada
não sabe se vai no rio ou já é mar

e, por não saber assim quase nada
do que deixou e do que encontrará,

faz de destino as águas que navega,
faz de seu fim, porto, seguir às cegas.



DOIS

Se todas as portas da praça
estão para nós abertas,

as fugas possíveis todas;
se o dia de tão claro cega

esse olhar que em volta vaga,
por que vai assim aqui dentro

as galés de um sentimento
de que a vida está trancada?



TRÊS

Pelo jardim a formiga
herda de mim a cegueira.

Ela perdeu-se da fila
e num mundo em que poeira

são montanhas e avalanches
a formiga, sem a linha

que lhe diz trilha certeira,
não mais volta nem mais segue.

Eu brinco com a formiga.
Somos dois seres entregues.



QUATRO

Chamam luz
das artérias
esse vão,
a passagem
em que o sangue
corre a vida.

A corrida
é vermelha
sem chegada
ou partida.

Gira cega
pelo corpo,
até a morte,
infinita.



CINCO

nunca os olhos nus
míope que sempre fui

sempre através
atrás

das grades
das lentes

vida refratada
ou escura

sempre a fratura
fissura e fissão

núcleo da vida






Escritos entre 23/02/2015 e 25/02/2015