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Meu amor é marinheiro
e não faz de mim porto qualquer
onde larga seus desejos.
Nem porto sou sequer,
que de natureza fugidia
também eu sou feito.
Mais que o mar e suas correntes,
submarinos quereres me navegam
ao mais fundo, abissal, leito.
De nossos encontros, eu e meu amor,
nascem borrascas incontroláveis,
maremotos, gigantes vagas.
Eu, o mar, ele, o barco altivo
que resiste e cede, afunda e emerge
entre o singrar e o naufrágio.
Meu amor capitaneia e decide
contra a onda sísmica, eu, que
sobre o barco arrebenta virgem.
Os céus se aproximam, precipitam raios,
toda a amplidão por todos os lados
se debruça a ver-nos enfim amar.
E, então, tudo acalma.
barco e oceano se reconciliam
em marulhos e carinhos e beijos.
Retorno ao fôlego compassado
qual maré respirando à costa
e ele volta ao caminho traçado.
Volta à praia, ao seguro porto da casa,
leva sorrisos pelo corpo, gargalhadas,
todas as risadas que pude lhe dar.Meu amor não vem todos os dias
e vem de surpresa e atrasa,
mas vem perfumado o meu amor,
a melhor roupa bem alinhada.
Não sei quem alisa o linho que amasso,
quem lava e passa e engoma e guarda.
Não sei quem finge que não vê minhas marcas
no corpo que lembra minha paixão rasgada.
Quem enfeita o Natal de meu amor?
Quem assa bolos de aniversário para o meu amor?
Não sei quem cuida de suas febres... lhe dá presentes.
Nunca acordei de beijos o meu amor no dia da nova idade
Vivemos apenas as vésperas eu e meu amor,
longas vésperas de saudades.

Hoje amei sem dores
um amor que parece passar,
mas que indecide a marcha
e volta e passa e repassa.
Amei seus passeios em mim,
os anseios de ir e vir.
Como fui feliz faz pouco,
eu o caminho deste outro.
Amei, enfim, sua pausa,
mas ele não ficará, eu sei,
o meu amor.

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7
DEMOCRACIA II
A democracia deve ter sido inventada pelos chineses. É preciso uma paciência de Buda.
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Money makes the world go around
The world go around
The world go around
Money makes the world go around
It makes the world go 'round.
A mark, a yen, a buck, or a pound
A buck or a pound
A buck or a pound
Is all that makes the world go around,
That clinking clanking sound
Can make the world go 'round.
Money money money money money money
Money money money money money money
Money money money money money money
Money money
If you happen To be rich,
And you feel like a
Night's enetertainment
You can pay for a
Gay escapade.
If you happen To be rich,
And alone, and you
Need a companion
You can ring-ting-A-ling
for the maid.
If you happen To be rich
And you find you are
Left by your lover,
Though you moan and you groan
Quite a lot,
You can take it On the chin,
Call a cab, And begin
To recover
On your fourteen-Carat yacht.
Money makes the world go around,
The world go around,
The world go around,
Money makes the world go around,
Of that we can be sure.
(....) on being poor.
Money money money- money money money
Money money money- Money money money
Money money money money money money
Money money money money money money
Money money money money money money
If you haven't any coal in the stove
And you freeze in the winter
And you curse on the wind
At your fate
When you haven't any shoes
On your feet
And your coat's thin as paper
And you look thirty pounds
Underweight.
When you go to get a word of advice
From the fat little pastor
He will tell you to love evermore.
But when hunger comes a rap,
Rat-a-tat, rat-a-tat at the window...
At the window...
Who's there?
Hunger!
Ooh, hunger!
See how love flies out the door...For
Money makes The world...
...Go around
The world...
...Go around
The world...
...Go around
Money makes the
The world...
...Go around
That clinking
Clanking sound of
Money money money money money money
Money money money money money money
Get a little,
Money money
Get a little,
Money money
Money money
Money money
Money money
Money money
Mark, a yen, a buck
Get a little
Or a pound
Get a little
That clinking clanking
Get a little
Get a little
Clinking sound
Money money
Money money...
Is all that makes
The world go 'round
Money money
Money money
It makes the world go round!

Exercício de
dicção para
Liza Minelli
Manet Manet Manet Manet
Manet Manet Manet Manet
Manet Manet Manet Manet
Manet Manet Manet Manet
Manet Manet Manet Manet
Manet Manet Manet Manet
Manet Manet Manet Manet
Manet Manet Manet Maney

Monet Monet Monet Monet
Monet Monet Monet Monet
Monet Monet Monet Monet
Monet Monet Monet Monet
Monet Monet Monet Monet
Monet Monet Monet Monet
Monet Monet Monet Monet
Monet Monet Monet Money
Toda a tristeza dos rios
Não posso dizer que qualquer coisa de sobrenatural ou extraordinária me levou às margens do Sena tão rápido. Afinal, um turista que chegue cedo demais a um hotel de Paris e seja obrigado a fazer um passeio de espera – a diária do hotel ainda por começar, invariavelmente será atraído para Notre-Dame-de-Paris. Um vórtice de desejo nos leva a todos para lá. Assim é que cruzei as linhas do metrô e fui. A visão deslumbrante da novidade, do desejo que se concretiza pela primeira vez... atravessar uma ponte... a igreja e a fila de turistas com sua alegria de domingo à tarde, um céu cinza que de repente se abre azul, como quem finalmente é conquistado e se entrega... a igreja e seu grande espaço vazio, a igreja e sua luz de vitrais, uma igreja toda louvor às alturas, suas centenas de anos, suas gárgulas, seus Quasímodos, suas Esmeraldas por ali dançando, todas as quedas trágicas, todas as redenções, coisas demais para sentir.
Fiquei por ali, vagando sem rumo, apenas acompanhando as correntes que faziam as outras pessoas, eu seguia o movimento, como uma folha caída na água. Eu apenas me deixava levar, os poros todos abertos para ver e ouvir, para sentir e tocar. Eu apenas estava ali e isso era tudo que podia ser naquele momento.
Quando enfim me libertei da ilha, fui caminhar pela margem esquerda do Sena, até a Pont Neuf. O rio e suas águas castanhas me lembrou outros rios por onde passei. Tive muitos rios na minha vida, eu que nasci à beira mar.
Nasci em Ilhéus, no bairro do Malhado. Nossa casinha na rua Nossa Senhora das Graças ficava numa pequena elevação. Podíamos ver o mar bem ali do outro lado da rua, por sobre as casas
Tive outros rios na vida, o Tocantins, o Madeira. Este o rio que presenciou minhas primeiras descobertas sexuais, lá longe de tudo, no Amazonas.
Mas aqui, caminhando ao lado do Sena, me lembro de rios que não são meus, lembro dos rios Beberibe e Capibaribe,
Era seu o sonho de estar aqui caminhando à margem do rio sena. Ela sabia que não tinha tempo, a morte já anunciada. Assim é que planejou a viagem para setembro daquele ano. Tudo certo. E, então, em julho, um mesmo julho como esse, quando o céu do Brasil é o mais bonito, como ele gostava de dizer, aconteceu. E foi minha a triste previsão. Eu tinha lhe escrito uma carta em que dizia que ele não podia saber do que morreria, ninguém sabia. A cara do fim que ele vira não era verdadeira e sobre esse mistério nada sabíamos. Foi assim que a vida me fez acertar dolorosamente: uma noite feliz, um assalto, um tiro, uma hemorragia... o sangue não conseguia parar...
Agora, enquanto caminho, eu o faço devagar, os passos pensados e leves, pois sei que piso em sonhos que não são meus. É pelo sonho de meu amigo que passeio. Ele sonhou com tanta força que é como se ele estivesse aqui ao lado me dizendo para seguir
~
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~
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Você me verá no cais
vazio da cidade onde nasci,
andando sobre o lodo
do mar que esvai.
Também eu parti
rumo à saudade,
esta nova pátria
de onde não posso fugir.
Entre aqui e lá

Voar é estar parado
Sobre um tapete branco
Sob um céu estrelado
Uma vez, entre Niterói e o Rio, na barca, tivemos de esperar passar o porta aviões. “O” porque vocês sabem que o Brasil só tem um. Ficamos ali parados no meio da baía da Guanabara. Eu me distraía com o congestionamento de navios, barcas, barquinhos... no céu os aviões vinham descendo desde a Porte Rio-Niterói até o aeroporto Santos Dumont. O centro do Rio, com seus prédios altos, parecia uma muralha. Era uma ambiência futurista retrô, um Blade Runner.
Todas aquelas pessoas na barca, com seus compromissos inadiáveis: empregos, escola namorados... tudo por um fio. Todas aquelas pessoa não podiam fazer nada a não ser esperar. Também eu. Deliciosa impotência essa em que a vida não nos pertence. Naqueles minutos parado no meio da baía, senti que nada podia me acontecer. Toda a vida parada, decantando sua dor e suas ansiedades.
Agora, estou novamente sobre as águas, quase sobre Cabo Verde, entre aqui e lá. Não há nada que impeça o seguir do avião, mas ele parece parado em pleno ar. Só o monitor à minha frente conta os quilômetros que passam. Estou seguindo por sobre os fusos do tempo pelo planeta, mas é como se estivesse parado... e nada pode me acontecer. Nenhuma gente pode mudar o meu destino agora. Nem mesmo eu posso fazer qualquer coisa. Minha vida inteira por decidir, os amigos os colegas os parentes, ninguém pode me alcançar, nenhuma notícia virá agora. Nada. E nada posso. E aos poucos as dores e as ansiedades ficam para trás.
Deliciosa liberdade de nada poder, nada fazer, nada saber do mundo lá embaixo sob as nuvens. Tudo é só contemplar a noite e sua estrelas há muito mortas. Elas já não estão lá onde as vejo, eu já não estou lá de onde parti, tampouco cheguei ainda.
Pareço estar parado e o espaço e tempo dos fusos se movem sobre mim.
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