
Houve um tempo
de esperar desperto,
olhos ávidos,
boca entreaberta.
Houve um tempo
de crer na chegada.
Depois,
o atraso prolongando-se,
perdido o tempo,
diluiu-se a espera,
apagou-se o porvir.
Era o tempo de partir:
a estrada.
*
*
*
*

Houve um tempo
de esperar desperto,
olhos ávidos,
boca entreaberta.
Houve um tempo
de crer na chegada.
Depois,
o atraso prolongando-se,
perdido o tempo,
diluiu-se a espera,
apagou-se o porvir.
Era o tempo de partir:
a estrada.
*
*
*
*
Borboletas não pousam
porque a vida é um fiapo na brisa
perde o sopro quem aterrissa

Des papillon ne se posent pas
parce que la vie est un fil à la brise
perd le souffle celles qu’aterrisent
In RODRIGUES, Marcus Vinícius. Pequeno inventário das ausências, Fundação Casa de Jorge Amado/Prêmio Brasken, 2001.
A poesia de Marcus Vinícius Rodrigues é lenta. Não lenta na leitura... uns versos tão curtos e tão poucos. Ela é lenta porque chega depois. As palavras demoram muito a chegar ao papel. Quando isso acontece, os sentimentos já estão envelhecidos, as idéias já não são surpresa. Tudo está decantado. Muitas camadas de tempo já se depositaram sobre a dor. E é dessa dor esquecida que se faz um verso de duas sílabas.
Bruna Bianchi é modelo e Atriz de novelas, Artista plástica e um fenômeno de fotogenia e desamparo.

Cinco sentidos
tem a mão do menino na escola.
Antes do mundo ele aprende as portas,
mas hesite na pergunta:
entro?
O olho fixo no misterioso centro
da palma.

Cinq sens
a la main du garçon à l’école
Avant le monde il apprendre les portes.
Et pourtant il hesite a la demande:
Entre-je?
Les yeux fixés o mystérieux centre
de la paume.
| abril de 2009 | |
O vestido de dançar
Por Wladimir Cazé
![]()
Em "3 vestidos e meu corpo nu" (P55 Edições, 2009, 50 páginas), primeiro livro de contos de Marcus Vinícius Rodrigues, há uma forte identificação do narrador com a figura feminina, que é o ponto de partida para a articulação do texto. O tecido do vestido de festa que a personagem de "A mais bela flor da alma" usa em um momento significativo de sua vida é feito do mesmo tecido de que são feitas as palavras com que a menina tenta apreender o seu mundo subitamente transtornado.
O fim da infância é évocado de maneira tátil: "Doía-me na barriga, bem lá embaixo, uma dor fina e desconhecida que às vezes me fazia torcer o vestido que encurtava" (p. 6). Pouco depois, outras percepções são sinestesicamente trazidas à flor da página, perante a descoberta precoce e quase simultânea do amor e da morte ......................... http://www.verbo21.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=383&Itemid=136 0 0 0 0 0 |

Anjo torto de Drummond
a pregar as virtudes
de uma gaucherie desusada,
esse anjo sou eu, não se iluda.
Eu tenho asas.
ζ
ζ
ζ
ζ
ζ
Domingo - 19/04/2009, 20:20 na PRAÇA DO CORDEL E DA POESIA,
com Martha Galrão e Nívia Maria Vasconcellos
Segunda - 20/04/2009, 18:30 na ARENA JOVEM,
com
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Muitos amigos meus estarão na Bienal. Abaixo segue minha programação particular da Bienal. Serve, também, de dica para vocês.

ARENA JOVEM
18/04/2009, 19:00 - LITERATURA, BLOGS E BLOGUERIAS: Renata Belmonte, Gustavo Rios e Lima Trindade
20/04/2009, 18:30 - Poesia e Ritmo são irmãos?: Landê Onawle, Marcus Vinícius Rodrigues e
24/04/2009, 18:30 - Literatura com sexo é melhor? Gabriela Leite, Állex Leila e Antônio Carlos Viana
PRAÇA DO CORDEL E DA POESIA
19/04/2009, 20:20 - Martha Galrão, Marcus Vinícius Rodrigues e Nívia Maria Vasconcellos
20/04/2009, 20:20 - Adriano Eysen, Eliana Mara Chiossi e Walter César
21/04/2009, 20:20 - Maria da Conceição Paranhos e Luis Antonio Cajazeira Ramos
22/04/2009, 20:20 - Damário Dacruz, Lita Passos e Wladimir Cazé
23/04/2009, 18:00 - Georgio Rios, Paulo André e Thiago Lins
23/04/2009, 20:20 - Elizeu Moreira Paranaguá, Vânia Melo e Herculano Neto
24/04/2009, 20:20 - Kátia Borges e Mayrant Gallo
25/04/2009, 18:00 - André Galvão, Mônica Menezes e André Guerra
26/04/2009, 20:20 - Sapiranga e
CAFÉ LITERÁRIO
18/04/2009, 18:00 - A literatura se alimenta do mito?: Alberto Mussa, Aleilton Fonseca
19/04/2009, 18:00 - A vida imita a literatura ou é o contrário?:
19/04/2009, 20:00 - Atualmente, a internet é o lugar da poesia?: Antônio Calloni,
21/04/2009, 18:00 - O que um escritor deve fazer para começar a publicar?: Dênisson Padilha Filho e Goulart Gomes, Suênio Campos de Lucena
23/04/2009, 20:00 - Trazer a intimidade para a literatura é um desafio?: Mônica Menezes,
25/04/2009, 18:00 - Realidade e Ficção: qual o mais assombrado?: Heloísa Seixas e
25/04/2009, 20:00 - Qual a diferença entre fazer um conto e um romance?: Antônio Torres e
PEQUENA SABATINA AO ARTISTA
Por Fabrício Brandão
Certos encontros, até mesmo os mais inesperados possíveis, costumam acrescentar seus ingredientes instigantes de descoberta e, por assim dizer, renovação de nossos repertórios de vida. Recordo-me que o momento de perceber as primeiras escutas em torno do escritor baiano Marcus Vinícius Rodrigues veio com a afirmação de que versos redefinem não apenas mistérios, mas também traços mais tênues e sublimes sobre quem realmente somos. O moço, a quem tomo a licença de nomear como poeta do imponderável, além de desfilar ideias sobre a sua intimidade com o universo literário, recitava seus curtos, porém incisivos versos embebidos em lembranças, afetos, enigmas e, sobretudo, ausências.
O autor de Pequeno inventário das ausências (Fundação Casa de Jorge Amado), livro de poemas que lhe rendeu o Prêmio Copene de Literatura 2001, é hábil em construir signos que cativam pelo rico jogo de apelos sensoriais. Noutro momento, o poeta Marcus veste as túnicas de uma prosa regada a doses intensas de lirismo, alguma introspecção e um precioso percurso sob a ótica feminina, para nos servir sinfonias existenciais no belo 3 Vestidos e meu corpo nu (Coleção Cartas Bahianas – P 55 Edições). Um pouco de suas percepções, nuances criativas e sentimentos que movem linhas agora estão aqui, dispostos numa breve conversa.
C O N T I N U A NA DIVERSOS AFINS http://www.diversos-afins.blogspot.com/




Daqui de cima não dá pra ver nada que se passa na rua. Essas árvores atrapalham. Mas eu tinha de ver, Ivete. Como o meu Biju tem de descer todo dia, desci. A rua estava completamente engarrafada. Uma confusão! E não é comum, não. Nessa hora, engarrafa lá perto do Campo Grande por causa do caminhão de lixo. É! Onde já se viu fazer coleta de lixo no Corredor da Vitória às sete horas da noite? Hoje estava tudo engarrafado. Pudera! Duas festas, uma colada na outra. Tinha essa do casarão aqui em frente, um lançamento de livro, e outra no Museu Costa Pinto. Só podia dar no que deu. Quando eu desci, os convidados estavam chegando. As mulheres estão tão magras hoje em dia, hein, Ivete? E as roupas. Uns fiapos de pano. Não se usa mais isso de se vestir bem. Elas parecem uns mendigos. E os homens? Você acredita que vi vários de Jeans? Como é que deixam entrar eu não sei. O que foi essa Vitória, querida? Esses casarões davam festas maravilhosas, as pessoas vestidas com luxo, com glamour. Aí mesmo, no casarão. Quando a família morava aí, sempre tinha festas. E podia ser de quem fosse, era um desfile de gente chique, outra coisa! Agora eles fazem essas festas e vem um monte de gente que não tem nada a ver com o lugar. Isso de artista! Uma coisa é ler um livro, comprar um quadro, mas receber essas pessoas, eu não faria. Eu não sou rica, Ivete, mas sou de boa família. Sei quem se deve receber. Quando meu marido era vivo, eu freqüentava as melhores festas desta cidade. Era a esposa do Dr. Venâncio de Almeida, Juiz titular da Comarca de Itaparica. Foi lá que eu conheci muita gente da sociedade, nas casas de praia. Depois, ele foi transferido pra cá pra Salvador, um cartório horrível
Pois eu desci com meu Biju. O porteiro foi logo me dizendo que estava a maior confusão na rua, que era melhor eu não sair. Mas como eu não ia sair? Do prédio não se vê nada. Pus o Biju no chão e falei pra ele. Ah, Seu Antônio, meu Biju não agüenta esperar não. Sabe como são essas crianças. E fui. Era uma confusão de carro e gente, nada de mais. O problema era com os guardadores de carro. Sabe aquele senhor que sempre fica aqui na porta? Aquele velhinho da muleta, um senhor de cor? Ele toma conta dos carros aqui na frente. Faz isso há anos. Deve ganhar aqueles trocadinhos de nada, coitado. Um dia ele me pediu um dinheiro. Era fim de ano e veio com aquela conversa de caixinha de Natal. Eu disse: mas, meu senhor, eu não tenho carro, pra que eu vou lhe dar dinheiro de caixinha? Falei assim mesmo. Depois eu fiquei arrependida, desci e levei uma coisinha pra ele. Era natal! Eu também fiquei um pouco apreensiva. Sei lá! Eu saio todo dia sozinha, só com meu Biju. Quem sabe o que esse homem pode fazer? Eu sei. É um velhinho, mas nunca se sabe. Nunca se sabia, hein, porque, depois de hoje...
Não é que apareceu outro guardador de carro? Um menino novo, forte, bom de arrumar um emprego. O velho eu entendo, ninguém ia querer ele pra trabalhar, mas o menino?! Era até bem apessoado, de presença, alvo. Mas muito violento com o velhinho. Queria tomar o lugar dele na rua. Começaram a brigar por um espaço de um carro. O velhinho dizia que era dele e o menino dizia que não. Uma vaga quase em frente ao Museu. Eu cheguei perto passeando o cachorro e eles estavam brigando lá naquela língua de baiano. Parece que tinham dividido as festas. O velhinho ficou com a do casarão e o menino ficou com o Museu. Eu achei injusto. O velhinho sempre cuidou daqui desde lá de baixo até o largo. Só não cuidava dentro do largo porque não dá pra ver, mas tinha muito cliente. Quando o Mcdonalds enchia, sempre sobrava uns carros que estacionavam pra cá. Deu vontade de me meter, mas só fiquei olhando. O menino era assustador, dizia um monte de palavrões. Gente baixa mesmo. Teve uma hora que ele olhou pra mim. Achei que ia perguntar: o que é, minha tia? É assim que eles chamam a gente. Os mal-educados. Mas ele não disse nada. Olhou direto na minha mão esquerda, que segurava a correia do Biju. Na mesma hora eu puxei o cachorro pra mim, trocando a correia de mão. E não é que ele continuou olhando pra mão esquerda? Ele ficou de olho nas minhas alianças, a minha e a do falecido. Você sabe que eu uso as duas, a de Venâncio, mais folgada, eu prendo com a minha. Pensei em apertar, mas ia perder ouro. Achei melhor deixar como estava. Ficou um bom arranjo. Pois não é que o menino queria me roubar? Eu vi nos olhos dele, um menino alvo, Ivete, bom de estudar, trabalhar. Peguei Biju no colo e voltei pra porta do prédio.
Foi aí que a confusão começou mesmo. Graças a Deus, eu já estava segura. Um carro saiu. Foram os dois pedir o dinheiro. Ficaram discutindo na frente do carro do homem. Nem decidiam de quem era o dinheiro, nem saíam do caminho. O homem jogou o dinheiro no chão e, quando eles correram pra pegar, ele arrancou. Eu fazia a mesma coisa, mas ia tentar não jogar o dinheiro. Eu só arrancava. Eles se atracaram no chão pra pegar os trocados. Foi uma briga violenta o menino começou a espancar o velho bem na porta do museu. Estavam saindo uns convidados de paletó, uns homens até fortes. Quem disse que alguém apartou? Eles saíram de fininho. Ninguém queria se meter. No casarão ninguém saiu na porta pra ver, Ivete. Acho que nem perceberam. Nem lá dentro do museu. Era uma briga cá na rua, longe das bandejas de risoles e canudinhos. A briga acabou quando o velhinho acertou o menino com a muleta. Ele caiu no chão. O velho aproveitou e continuou dando muletadas no rapaz. Parecia uma fera atacando menino. Foi nessa hora que vieram outras pessoas e começaram a jogar pedras no velho. Não foi nenhum convidado, não. Apareceu um monte de morador de rua, saídos não sei de onde. Essa gente sai dos subterrâneos. Só pode. Nessa hora, eu subi. Não agüentei ver. Também, Ivete, isso não me diz respeito. Isso é lá briga deles. Agora tem barulho de polícia lá embaixo, tem ambulância e tudo. Já devem estar levando os dois. Fiz bem
In Outras moradas

Um corpo de verão passeia
sob a pálpebra que cerra.
Eu sei.
Só de sonhá-lo, sei do abraço
e todos os hálitos que esperam.
Aguarda, tarde,
pára o sol sob as pálpebras
e saiba.
Sou eu o horizonte que basta.
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Novo Lançamento da coleção Cartas Bahianas
O sol que a chuva apagou, de Állex Leilla
Vestígios da Senhorita B., de Renata Belmonte
17 de março, terça-feira,
das 19 às 22 horas,
na Livraria Tom do Saber,
Rua João Gomes 249, Pirâmide do Rio Vermelho,
Já lançado pela Coleção:
Aqui , de Vanessa Buffone
Para um certa Nina, de Adelice Souza
3 vestidos e meu corpo nu, de Marcus Vinícius Rodrigues