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quarta-feira, 22 de setembro de 2010
sábado, 11 de setembro de 2010
CADA DIA SOBRE A TERRA
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
UM EPISÓDIO NA AMAZÔNIA

Há momentos da vida que ficam para sempre na memória. São vivos e intensos ali no tempo real dos acontecimentos; ganham mais cor logo a seguir, na primeira vez que são contados. Depois, quando guardados no escaninho da alma, vão esgarçando como tecido que se desfaz. É apenas o carinho de lembrar que lhes vem cerzir de novo. É na memória vaga, distante, que ganham sua forma definitiva, suas cores firmes. Tenho uma lembrança assim.
É uma lembrança verde brilhante, mais brilhante ainda por surgir em meio à sombra de uma floresta.
Morei no Amazonas quando criança. Tinha entre 10 e 11 anos quando estivemos em Humaitá, uma cidade pequena no encontro da Transamazônica e o Rio Madeira. Morávamos eu e meus pais. Meus irmãos estudavam em Manaus, no Colégio Militar. Sozinho, eu tinha em meu pai a presença mais constante para brincar. Era ele quem fazia para mim brinquedos de madeira, como uma jangada que guardei por muitos anos.
Um dia, ele resolveu me levar para caçar. De verdade, revendo hoje a história, creio que ele nem pretendia caçar mesmo. Era apenas uma aventura nossa juntos. Um passatempo sem objetivo sério. Ele caçava, sim, com os amigos, quando ficava dias fora de casa. Nossa aventura, porém, deveria ser mais leve. Atravessamos o rio Madeira em uma balsa, a outra margem misteriosa que eu via da praça da cidade à noite. Ou melhor, não via, pois para aquele lado não havia cidade. Uma ou outra casa mal iluminada por algum candeeiro. Nestas minhas noites olhando para o rio escuro, fantasiava ali o fim do mundo. As estrelas do céu — nunca mais vi tantas — se dobravam no espelho da água escura e ganhavam a companhia daquelas estrelas falsas dos candeeiros. Eu imaginava um abismo para o espaço sideral, o vácuo por onde passava um laboratório espacial, um satélite que ia cair a qualquer momento: o Skylab.
Daquele lado do rio, ficava a Lagoa do Paraíso. Talvez apenas um igarapé mais aberto, sem tantas árvores a lhe cobrir a lâmina d´água. Íamos muito para lá. Meu pai conhecia uma família que morava ali na beira, numa casa alta, preparada para sobreviver às cheias. Não foi bem para lá que fomos nessa viagem. Paramos antes, à beira da estrada, e entramos na mata para a tal caçada. Íamos sem nada além de uma espingarda na mão de meu pai. Entrar na floresta é sempre uma experiência excepcional. Lá dentro é noite. Embaixo das árvores fechadas, algumas com raízes mais altas que meu pai, e pisando apenas em folhas secas, uma camada tal grossa que nem se sente o chão, ali nem se pode pensar que é ainda terra. Tudo é mata, água e mosquitos. Tudo demasiadamente vivo.
E o que é vivo é úmido.
Para mim, aquele era o sentido da expressão ¨boca da Mata¨, que eu ouvia falar então. Só depois notei que em vários lugares se usa a expressão, tão comum como chamar uma cachoeira de véu de noiva.
Distraídos, nós nos perdemos. Ficamos algum tempo rodando sem saber onde ficava a estrada. Muito tempo, pareceu. Foi nessa procura que nos deparamos com um laguinho verde. Ali no meio das sombras daquelas árvores que cobriam tudo apareceu o inusitado de uma clareira sobre um lago redondo, apenas um pouco maior que a sala de minha casa de vila militar. Era inusitado porque tão pouco espaço podia estar também coberto, como tudo. No entanto, aquilo se abria para o céu e o sol entrava inteiro. O lago estava coberto por uma vegetação flutuante que nem sei dizer o que era. Não eram as tais vitórias-régias que já tinha visto tanto e que não me cansava de desenhar nos cadernos da escola. Eram apenas umas folhinhas miúdas e muito verdes e muito brilhantes e muito inesquecíveis.
Dali a algum tempo, ouvimos a estrada e seus carros. Achamo-nos, enfim.
Nunca esqueci dessa minha aventura de criança.
Outro dia, porém, tive notícias do mesmo momento, por um ponto de vista que até agora não conhecia. Foi meu pai quem se lembrou do episódio e, relembrando comigo, perguntou: você não ficou com medo? Eu respondi, muito natural, que não. Ele estranhou. Mas como? Eu fiquei com medo. Então, ocorreu-me algo, tão rápido que nem percebi. Só depois, ouvindo minha voz, surpreendeu-me a frase: é que o senhor estava sozinho com uma criança. Eu estava com meu pai!
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
terça-feira, 27 de julho de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
domingo, 4 de julho de 2010
A N I V E R S Á R I O
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Texto sobre Eros resoluto na Diverso e afins
Por Fabrício Brandão
Quem desfolhar as páginas pungentes de Eros Resoluto (Coleção Cartas Bahianas - P55 Edições – Salvador – 2010), novo rebento do autor baianoMarcus Vinícius Rodrigues, certamente irá se deparar com uma narrativa que ousa instaurar algo que pode ser tido como um tempo da delicadeza. Tal expressão sobressai como um trunfo muito bem utilizado pelo escritor para penetrar com densidade num lugar que extrapola os horizontes aparentes do erotismo. Os três contos que perpassam o livro nos falam de certas paisagens íntimas da condição humana, construindo uma trama na qual os seus protagonistas são acometidos por uma varredura psicológica de suas veleidades.
acessem a revista para ler a continuação do texto:
http://www.diversos-afins.blogspot.com/
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sábado, 19 de junho de 2010
JOSÉ SARAMAGO (1922 - 2010)
segunda-feira, 14 de junho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
I Colóquio sobre Modos de produção e circulação artístico-cultural
domingo, 6 de junho de 2010
Crônica de Affonso Romano de Sant'Anna citando o conto "A omoplata"
Crônica de Affonso Romano de sant'Anna em qu cita o conto "A omoplata', que está no livro Eros resoluto
SEXO, FACA E MORTE
(CRÔNICA) PostadA por Affonso Romano de Sant'Anna, em 05/06/2010, às 23:25
LINK: http://www.affonsoromano.com.br/blog/index.php
Há alguns anos o diretor de teatro, Luiz Antônio Martinez Correia (irmão de José Celso), que morava aqui perto de minha casa, em Ipanema, foi assassinado com facadas.
Há alguns anos, Aparício Basílio, artista e amigo, conhecidíssima figura do soçaite de Rio e São Paulo foi assassinado da mesma forma em São Paulo.
Há alguns anos, meu amigo Almir Brunetti, também morreu esfaqueado em Brasília, Conheci-o primeiro em New Orleans, onde ele era professor, e depois o revi várias vezes na Universidade de Brasília e no Rio.
Com algumas variantes, ocorre-me a lembrança do memorialista Pedro Nava, do editor Emanuel Brasil e do meu aluno Maurício que escreveu uma tese sobre "O duplo".
Esta semana morreu esfaqueado em Curitiba o escritor Wilson Bueno, que também conheci. Ele é autor de alguns livros instigantes, dirigiu o jornal "Nicolau" e escreveu um livro prevendo a futura mistura do português e do espanhol.
Faca, sexo e morte.
Que estranha atração imanta essas palavras e estraçalha vidas?
Que percepção patética teve Freud quando decifrou alguns dos símbolos que organizam nossas pulsões?
Pois há alguns meses li um conto de Marcus Vinícius Rodrigues intitulado "A Omoplata" e fiquei impressionado, impressionadíssimo. É um dos mais tocantes e bem escritos textos sobre essa nebulosa margem entre o crime e o amor, entre o desejo e o perigo.
Eu havia conhecido Marcus Vinícius há uns dois anos quando fizemos, com outros escritores, uma série de conferências no interior da Bahia. Mas só vim recentemente a ler aquele conto sobre a relação erótica entre um homem e um "menino". Semana passada, por coincidência, em Salvador ele assistia a uma palestra minha e me deu esse conto publicado num livrinho "Eros Resoluto" (Ed.Cartas Baianas).
O conto, como uma navalhada na carne, é de uma precisão fatal. Começa com uma indagação: "E essa cicatriz?". E faz uma pequena descrição de uma cicatriz que um dos amantes tem na omoplata. "Ele passou a mão pela omoplata esquerda do outro. Era um risco em diagonal. Começava perto do ombro, o esquerdo, e ia descendo e se aproximando da coluna. Ele estava deitado de costas na cama. O outro, de bruços sobre ele, as pernas sobre seu ombro direito, abraçado em suas pernas. Nus. Ele acariciava o corpo do outro, as coxas, a bunda, as costas, numa lenta preguiça.
-Parece que lhe arrancaram uma asa".
E o conto prossegue numa atmosfera ambígua, difusa em que sexo, ameaça e perigo se atraem.
A cicatriz parece feita com faca. É uma sugestão. O texto é cortante. O menino parecia um anjo e um anjo perverso. Corpos e mentiras se entrelaçam. A cicatriz lembrava corte de faca, mas podia ser o esforço para se implantar ali uma asa de anjo. Tudo era falso e verdadeiro: "encontrado na rua, um menino que poderia ser um assaltante, tão falsa aquela história do colégio de freiras" que teria originado a cicatriz.
E a história vai para seu desfecho trágico, não narrado diretamente, mas sutil e inteligentemente sugerido. Depois de diálogos, brincadeiras, ameaças veladas e declarações de amor, o personagem dirige-se à cozinha onde nota a ausência de uma faca. "Na ordem absoluta havia apenas uma falha: a gaveta de talheres imperceptivelmente entreaberta. Um alarme estourou na sua cabeça. Ele não abriu a gaveta, mas o que não via se mostrava nítido em seus olhos. Parecia tão claro. Todas as cenas voltaram como um relâmpago. As conversas. Tudo em velocidade, até um momento se fixar. O sorriso do menino tilintando atrás de uma frase:
-Quem te salva?
Ele lembrou. Num instante rápido, quis que nada disto tivesse acontecido, queria não ter se deixado levar por... Devia ter tomado mais cuidado. Queria retroceder, escapar, mas tinha ido longe demais, já estavam num ponto em que não se pode mais voltar".
(*) Estado de Minas/ Correio Braziliense
RESULTADO DO SORTEIO
sábado, 22 de maio de 2010
Sorteio de Eros resoluto
Caros,
Vou sortear 2 exemplares do Eros resoluto para os seguidores do blog (quem ainda não for, só precisa dar um clique em seguir). Basta fazer um comentário neste post. O sorteio será assim. Quem fizer o primeiro post ganha automaticamente. O outro livro será sorteado da seguinte maneira. Pegarei o quarto maior número sorteado na mega sena do dia 05/06 e começarei a contar incluindo o primeiro comentário até achar o sorteado. Se cair no primeiro comentário, seguirei para o próximo.
Os ganhadores mandam endereço por e-mail e eu envio o livro.







