segunda-feira, 23 de abril de 2012

Conto QUINTA-FEIRA


QUINTA-FEIRA
Do livro CADA DIA SOBRE A TERRA,
de Marcus Vinícius Rodrigues

Ele desceu como uma flecha as escada que ligavam a Ladeira de Nanã à Rua do Dique Pequeno. Pulou os buracos sem degrau e quase caiu quando pisou num deles que estava solto, mal colocado. Era uma escada ainda aquela, mas há muito abandonada, coberta de mato, degraus faltando, degraus soltos. Mas ainda assim era o caminho mais rápido entre o Parque Boa Vista de Brotas e o Dique do Tororó. Jorge não descia por ali há muito tempo. Tudo que fazia era lá em cima, no Engenho Velho. Nunca ia ao Dique. Pra quê? Nada ali lhe interessava. Via de longe as águas, os orixás em torno da fonte, a noite toda iluminada, as pessoas correndo em volta, os carros lentos nos engarrafamentos, tanta coisa girando em torno daquelas águas. A fila de ônibus seguia para a Estação da Lapa, numa romaria de gigantes. Pareciam os dinossauros daquele filme, todos enfileirados e burros, como gado a caminho do matadouro. Iam se enfiar nos buracos da estação e despachar do estômago as vísceras, os passageiros e suas vidas corridas e ocupadas.
 Via de longe apenas, da janela de seu quarto, todos os dias, da manhã até a noite, toda a noite, às vezes, quando ficava acordado, sem sono, sem um amanhã esperando, sem hora de levantar e sair para o trabalho. Apenas observava lá de cima o Dique e tudo que em torno dele girava, vivo e veloz, lento e constante. Era como se toda a cidade passasse por ali. Ele, em sua janela, olhava e sentia que não fazia parte daquilo tudo. Nada lhe dizia respeito.
Sem trabalho, sem conseguir nada, restava ficar em casa o dia todo. Depois que a mulher e os filhos saíam, ia para a janela. Podia descer, caminhar pela rua, ir ao Dique lá embaixo, mas para nada tinha vontade. No princípio, saía ainda de casa para as tarefas de desempregado, as filas de seguro desemprego, as filas de seleção, as entrevistas, essas eram suas saídas quase diárias. Depois, tinha o tempo ao lado do telefone, a espera. Nenhuma resposta. Aos poucos foram rareando essas saídas. Passou a enganar a mulher dizendo que ia sair e, quando todos deixavam a casa, ia até a janela e se deixava ficar. Sem nada a fazer, apenas contemplava. Via o céu mudar ao longo do dia, via as sombras das árvores do lado de cá se recolherem à medida que o sol ia alto. Depois, via as sombras das árvores do lado de lá se esticarem sobre as águas acompanhando a tarde caindo. Passava assim seus dias.
A mulher, no princípio, brigava, chamava-o de inútil, incapaz. Mas, com o tempo, desistiu. Aos poucos ela foi abandonando o marido, ocupada que estava com sua própria vida que seguia. Tinha um emprego e dois filhos para ajudar a sustentar. Eles trabalhavam, é verdade, mas ainda dividiam o tempo com estudos.  O mais velho vendia roupas na mesma loja em que a mãe trabalhava, num shopping popular no centro da cidade. O mais novo, ainda no primeiro emprego, era garçom, logo ali, no Dique, numa pizzaria à beira d’água. Este era o filho mais próximo do pai, o caçula, o júnior de seu nome, e que ainda se preocupava com sua demora para conseguir novo emprego, sua demora para acordar ela manhã, sua demora para dormir. Sempre que voltava da pizzaria, ainda o encontrava à janela.
— Ainda aí, pai?
— Esperando você, filho.
Ela sabia que não era verdade. Não era o filho que o pai esperava. De verdade, não acreditava que o pai esperasse alguma coisa ainda, tão desinteressado que estava das coisas, dos filhos, de sua mãe.
— Um colega me falou de uma empresa que está pegando gente, pai. A garagem é na Barros Reis. Quer que eu vá lá com o senhor?
— Pra quê? Eles não pegam mais cobrador com experiência. Se já trabalhou em outra empresa, eles não gostam. Acham que o cara já está viciado no que é errado.
— Não custa tentar.
— Cobrador esperto não bota todo o dinheiro no cofre. Morrer na mão de bandido pra quê? Tem que ser muito idiota ou novo o ramo. É preciso deixar alguma coisa para o ladrão.
— E aquele curso de motorista?
— To vendo aí uma vaga.
Não estava, o filho sabia. Já tinha tentado antes, quando estava empregado. Todo cobrador queria ser motorista, ele também. Começou a manobrar os ônibus na garagem, junto com o manobrista. Ia bem no aprendizado. Queria estar craque pro dia de se inscrever no curso da empresa. Faria o curso e seria um dos melhores. Daí era só tirar a carteira e, na certa, seria promovido. Sua vida estava assim programada.  Mas, então, num dia em que treinava à noite, depois do trabalho, a garagem quase cheia de ônibus, estacionava um deles num último espaço na fileira, ali bem perto da bomba de gasolina. Manobrou errado, abriu demais a curva e atingiu a bomba, de leve. Ela quase se soltou, ela quase vazou. Quase foi um acidente enorme. Todo o combustível podia ter vazado, tudo podia ter explodido. Nada aconteceu. Apenas Jorge perdeu o emprego, por um triz, por um centímetro, por uma meia volta que não fez no volante. Por quase nada.
E tudo que sabia era trabalhar como cobrador, os dedos ágeis para contar dinheiro. Queria levar essa agilidade para o gesto largo dos braços, mas errou o tamanho da volta. Era tão antigo na empresa, mas não tinha como explicar estar ali no lugar errado, na hora errada. Tinha apenas de sair e não voltar. Foi assim que, depois de tantos anos, voltou pra casa e ficou. Até o dia em que se debruçou na janela para ver o sol de pôr atrás do bairro do Tororó lá do outro lado do Dique. Viu aquela luz se esvaindo escorrendo para o mar que tinha lá do outro lado, deixando atrás de si um escuro salpicado de luzes miúdas nas casas. Dormiu aquela noite um pouco mais tarde, vendo as pequenas luzes se apagarem aos poucos, as casas lá do outro lado se fechando para esperar a manhã.
Nessa época, sua mulher ainda se incomodava de ele não ir dormir junto com ela, mas uma noite, mais cansada que das outras vezes, dormiu sem chamá-lo. Ele passou a noite na janela, viu o filho mais novo chegar do trabalho, viu mesmo ele sair da pizzaria lá embaixo e atravessar a rua a caminho de casa. Nesse dia só foi para a cama com o dia quase raiando. Quando a mulher saiu de casa para trabalhar, ele ainda dormia.
Foi assim que seus horários se separaram do resto da casa. Apenas com o mais novo tinha um momento de conversa no fim da noite.
— Eu tenho um freguês que trabalha nessa empresa que falei. Ele disse que consegue alguma coisa pro senhor. Basta ir lá.
— Que coisa, filho? Sei trabalhar com mais o quê?
— Ele consegue uma vaga de despachante. É mais que cobrador, mais que motorista.
— E por que ele vai me dar uma vaga tão boa.
O filho hesitou em falar.
— Ah! Ele me deve essa. Um favor que fiz pra ele, mas ele disse que o senhor se encaixa na vaga. Contei como o senhor era e  ele gostou.
— Assim. Só de você contar?
O filho olhava agora pela janela e para o Dique lá embaixo. Concentrava o olhar nas árvores em volta, procurava ali alguma coisa que estava escondida. Queria uma resposta que escondesse a que não podia dar. Uma boa história, com alguma verdade ainda, capaz de saciar o pai e sua desconfiança em tanta sorte.
— Começou quando ele perguntou por que eu era Júnior, de que nome. Quando eu disse que me chamava Jorge e que o senhor se chamava Jorge, ele gostou. Quis saber se o senhor era feito.
— E o que você disse?
— Eu não menti.
— Ah!
— E ele gostou assim mesmo. Disse que era um Jorge que podia resolver a vida dele. Num Jorge ele podia confiar.
O menino falava aliviado, tinha resvalado na mentira, mas já estava de novo nas fileiras dos sinceros. Não importavam muito os detalhes da conversa que tivera e que ajudariam o pai a entender o que estava dizendo. Importava que o pai entendia a parte que interessava. Ele era querido naquele trabalho. Era necessário. Alguém já confiava nele.
— Vamos lá depois de amanhã?
— Sexta? E alguém começa a trabalhar numa sexta-feira?
— Pra ele lhe conhecer. Dando tudo certo, o senhor começa segunda.
Jorge demorou a dormir como todas, mas acordou cedo. Ainda ouviu os barulhos matinais da casa, a mulher e o filho mais velho se arrumando para o trabalho. ficou na cama fingindo dormir até eu a casa estivesse silenciada. O filho mais novo também tinha saído para a escola. Antes, porém, sentiu sua presença no quarto, observando o pai que dormia. Estava esperançoso, era visível na forma como andava pela casa. O pai queria retribuir tanta esperança, tanta confiança ainda. Assim que ficou sozinho, levantou-se. Tomou café como todos os dias, em pé, no corredor em frente à cozinha, de onde podia ver a janela do quarto. Naquela hora não costumava ficar na janela. Apenas a partir das dez horas da manhã é que começava sua vigília diária.
Mas aquele era outro dia. Em vez de se debruçar na janela, resolveu tomar banho e sair. Estava um dia quente, sem nuvens no céu. O bairro tinha muito trânsito naquela hora. Quando alcançou a rua principal, que contornava o Parque Boa Vista, os ônibus passavam em velocidade, quase tocando as casas que ficavam muito próximas da rua.  Caminhou pelo canto, sem calçada, até entrar no Engenho Velho. Sabia que lá dentro, quase no fim-de-linha, tinha um babeiro barato. Nunca tinha ido, já fazia um tempo que cortava o cabelo de qualquer jeito em casa com a máquina de raspar do filho. Cortava baixo, mas sem raspar, e sem acabamento. Hoje, queria diferente. Um corte normal, como se fazia antigamente, bem batido nos lados e atrás, bem curto, mas ainda com cabelo. Queria mostrar os brancos que já tinha e mostrar que eram poucos, homem forte ainda. Homem respeitável, mas forte.  Foi esse o corte que pediu ao barbeiro. Apenas quando sentou na cadeira para cortar os cabelos é que viu, pelo espelho, lá atrás numa prateleira, a figura de São Jorge. Ele estava sobre seu cavalo momentos antes do golpe fatal de sua lança. O dragão, sob as patas do cavalo, aguardava o golpe. Eles estavam paralisados naquele momento, um segundo antes do fim, a morte e a glória, a redenção enfim. Dali a pouco o mal seria destruído e se esvaneceria para sempre da face da terra.
— Da lua.
Era assim que o filho lhe corrigia toda vez que contava essa história. Era pequenino ainda e depois que ouviu a primeira vez, percebeu a incoerência. Se São Jorge vivia na lua, ele e o dragão, só podia acabar com o mal de lá. Aqui na terra ficava tudo a mesma coisa. E quando o pai mostrava a lua e dizia que aquelas manchas era o santo perseguindo o dragão, o filho dizia: mas ele não já matou esse bicho?
Um dia, o filho pediu de presente uma estátua de São Jorge. Foi difícil explicar que não podia dar a imagem, que a mãe dele não gostava dessas coisas. Idolatria, ela dizia, quando o filho tocava no assunto.
— Mas meu pai é devoto de São Jorge.
— Não é não. Já se libertou dessa enganação de demônios.
A mãe sempre falava de demônios. Acreditava muito neles. O menino acostumou-se a não falar mais no assunto. O pai acostumou-se a nem mesmo lembrar como fora sua infância e sua juventude, como um guerreiro, um caçador em meio a uma floresta de aventuras. Acostumou-se ao emprego simples, acostumou-se ao desemprego, acostumou-se a apenas ver o mundo girar em torno das éguas do Dique, em seu sentido anti-horário, como se estivesse sempre voltando no tempo, um segundo para frente, dois para trás, todos os dias parados e iguais, sem nada para acontecer.
— Pronto.
O babeiro anunciou o fim do corte, trouxe um espelho que pôs atrás de Jorge. A nuca estava batida, bem rente ao couro cabeludo. Depois, o cabelo ia subindo e formando no alto da cabeça um topete duro, ainda muito curto. A cabeça inteira estava uniforme, sem que os crespos do cabelo se enrodilhassem. Jorge gostava assim, um corte rente, antes que o cabelo desse a primeira volta, uma espiral antes de começar. Assim ele podia ser qualquer coisa e ninguém podia saber ainda o que era. Era o mesmo truque dos filhos, que raspavam tudo, só que com mais perigo, pois o corte vinha no último instante. Em uma semana tudo se desfazia.
Jorge contou os dinheiros do bolso, pagou e saiu. Estava cada vez mais confiante naquela nova vida que viria. Caminhou de volta para casa com o olhar mais alto, fixo em frente. Assim, reparou que reparavam nele, a moça do armarinho, que escondeu um sorriso com as mãos, a velhinha que lhe cumprimentou, o carregador de cervejas que lhe deu passagem, mesmo segurando tanto peso. Caminhou um caminho reto e decidido, sem se desviar, sem ser desviado por ninguém, apenas seguia um caminho traçado. Chegaria lá, pensava. A cada passo, sentia-se menos só, como se lhe acompanhasse aquele São Jorge da barbearia. Não tinha um espelho agora. Se tivesse, surpreenderia o santo lhe servindo de escolta. Podia apenas sentir o trotar do cavalo e, à frente, depois de passar por sobre o seu ombro direito, lá adiante, a ponta da lança que lhe abria os caminhos, certeira, exata. Chegou mesmo a perceber um jovem se desviar da lança. Ele saía de uma loja e, ao virar, pareceu ver a lança e desviou de lado. Jorge passou sem olhá-lo, mas pelo canto dos olhos pensou vê-lo fazer um gesto de saudação e murmurar um canto.
Foi assim que chegou em casa, foi assim que passou todo o dia: encantado. Tinha sempre a seu lado o cavaleiro da lua e seu cavalo, mesmo no pequeno quarto de dormir. Não ligou para os comentários da mulher sobre seu cabelo. Ela logo o deixou em paz, já acostumada com o silêncio do marido. Sabia que ele e sua janela viviam num mundo distante do seu. Ele voltava os olhos para fora, para o horizonte, e nada que acontecesse na casa lhe incomodava. Foi assim naquela como nas outras noites, mas desta vez ele não se sentia só, senti-se forte e confiante. No dia seguinte, cedo, acordaria e, com o filho, seu Júnior, iria ao novo emprego. Bastava esperar mais essa noite passar, apenas mais uma, apenas mais uma.
Mas o tempo não passa assim em saltos, como quem pisca o olho e acorda no outro dia. As horas se arrastam pouco a pouco, e é preciso ver tudo que acontece nos momentos inúteis da espera. Jorge olhava o Dique e seus giros em volta diminuindo. Já não havia mais o congestionamento de carros, os ônibus já rareavam, a noite já ia alta e começava a descer para o dia. Ele esperava. Foi então que viu.
Se ele contasse a alguém o que viu, diriam que era mentira, que àquela distância não poderia ver nada, ainda mais à noite. Sandices de um velho. Mas ele viu
Saindo da pizzaria, já apagada, viu o filho. Era um vulto indecifrável na noite, mas era seu filho. Podia ver o andar que conhecia há tanto tempo, desde os primeiros passos. Podia ver os gestos das mãos, as mesmas mãos que se estendiam para pedir o colo do pai, quando o pai era toda a fortaleza que conhecia. Ele gesticulava conversando com um rapaz. Eram gestos fortes, decididos. O outro rapaz apenas ouvia, sem nada dizer. Então, começou a falar e seus gestos eram mais fortes e pareciam brigar com Júnior. Parecia que brigavam. Jorge, então, viu o filho mudar. Ele explicava alguma coisa, pedia, depois brigava. O outro respondia mais violento. Quem era aquele homem? Jorge não conhecia. Não era ninguém da pizzaria. Conhecia todos lá e tinha certeza que reconheceria todos. Era um desconhecido. A discussão continuava cada vez mais violenta até que o filho empurrou o rapaz, que caiu no chão. Jorge estava tenso e orgulhoso. O que viria agora? Foi então que algo brilhou no rapaz. Jorge não viu o que era, mas viu o filho dar um passo pra trás.
Jorge afastou-se da janela num salto. A mulher dormia na cama. Queria voltar e ver o que acontecia, agarrar-se a sua janela de onde via tudo acontecer lá embaixo, a distância lhe dando toda a segurança de que precisava. Bastava voltar e pronto. Mesmo que visse o filho ser morto, ainda assim, estaria em sua janela de onde observava o mundo. Ali. Seguro.
Bastava voltar e olhar.
Jorge saiu correndo pela casa até a porta da rua, saiu porta afora num galope violento. Não sabia o que fazia ou pensava, apenas corria como uma flecha. Uma flecha certeira e caçadora que uma vez lançada só para no alvo fatal.


segunda-feira, 16 de maio de 2011

A omoplata

Republico aqui a pedidos. O conto saiu no livro EROS RESOLUTO, pela editora P55, 2010 e ganhou o 1º lugar no Concurso nacional de contos Newton Sampaio 2009, promovido pela Secretaria de Cultura do Paraná.
— E essa cicatriz?
Ele passou a mão pela omoplata esquerda do outro. Era um risco em diagonal. Começava perto do ombro, o esquerdo, e ia descendo e se aproximando da coluna. Ele estava deitado de costas na cama. O outro, de bruços sobre ele, as pernas sobre seu ombro direito, abraçado em suas pernas. Nus. Ele acariciava o corpo do outro, as coxas, a bunda, as costas, numa lenta preguiça.
— Parece que lhe arrancaram uma asa.
— Como é?
— É! A marca é certinha como se você tivesse uma asa aqui e alguém tivesse arrancado.
O outro riu.
— Asa?
Agora ele vai dizer que eu sou um anjo caído do céu, pensou o menino.
— Como um anjo. Alguém lhe arrancou essa asa e você caiu do céu, coitado.
O outro se virou e olhou para ele. Um olhar doce atrás dos cachos dos cabelos. Passou para debaixo de uma das pernas dele, como um gato dengoso, se enroscando mais ainda.
— Você me acha um anjo?
— Acho. Um anjo que caiu do céu.
— É?
O menino ficou esperando que ele falasse dos cachos.
— Um anjinho.
— Eu já fiz papel de anjo, na escola. O anjo da anunciação. Todo ano eu tinha de fazer. Eu nunca queria, mas as freiras me adulavam até eu aceitar. Eu ia lá e dizia que ela ia ter um filho de Deus.
— Aí ela dizia: mas eu não conheço o homem.
— Eu era pequeno, não sabia o que queria dizer isso. Ficava perguntando às freiras, mas elas não respondiam. Eu não entendia como Maria não sabia o que era um homem.
— Mas você ia lá e dizia tudo direitinho.
— Como um anjo.
— Também, com esses cachos.
O outro abriu um sorriso satisfeito. E riu mais ainda quando ele começou a morder levemente a sola de seu pé. Tentava escapar e não conseguia. Ele abriu suas pernas e começou a lambê-las, foi subindo pelas coxas até a bunda.
— Vem cá, Miguel Arcanjo!
O menino riu ainda mais.
— Olha, você escolheu o anjo errado.
— Por quê?
— Miguel não foi aquele anjo que expulsou Adão e Eva do Paraíso? Acho até que foi ele que pôs fogo em Sodoma, a espada flamejante. É melhor não chamar ele aqui não, viu?
— E se eu lhe chamar de anjinho safado, pode?
— Ou Gabriel.
— Gabriel?
—O anjo da anunciação, bobo. O inseminador.
— Inseminador? Você pensa umas coisas, cara.
— Mas não foi isso que aconteceu? A primeira inseminação artificial da história. Ou celestial, se você quiser.
— Não dá pra acreditar que você tá falando essas coisas.
O menino ficou sério, olhou para ele com gravidade.
— E se não foi nada disso. Já pensou? O anjo foi lá e resolveu tudo do jeito antigo. Afinal, eram os tempos antigos, não era?
— Como você é safado!
— Aprendi com as freiras.
— Então vem cá, safadinho. Eu quero mais do meu anjinho agora.
— Mais?
— É.
— Agora?
Ele balançou a cabeça num sim. O outro respondeu divertido.
— Eis aqui a serva do senhor. Fazei em mim segundo a sua vontade.
***
Depois do banho, eles voltaram para a cama.
— Não era “fazei em mim segundo a vossa vontade”?
— Não. Era “sua” porque era a vontade de Deus e não do anjo e Deus não estava presente.
— Deus está em todo lugar.
— Mas ela não estava falando com ele, ora. Foi só o anjo, eu te contei.
— Você entende muito de anjos, né.
— Você nem imagina o quanto.
O menino riu divertido.
— Vem cá, vem. Fica aqui comigo.
Ele agarrou o menino e o abraçou. Ficaram enroscados um no outro.
— Se eu dormir, promete não levantar?
— Prometo.
— Como meu anjo?
De novo o anjo, pensou o menino. Tantas vezes o anjo.
— Mas nós não podemos ficar agarrados para sempre, você sabe.
— Só mais um pouco.
— Tá bom.
O outro lhe beijou a cicatriz nas costas.
— O que foi mesmo?
— Hum?
— A cicatriz.
— Dorme, vai.
— Ah! Conta.
— Foi um acidente. Eu caí de um muro.
— Mas é tão bem feitinha. Parece um corte de faca.
O menino se desvencilhou do homem e sentou na cama.
— Por que alguém ia me cortar com uma faca? Que coisa!
— Sei lá. Tem maluco pra tudo nesse mundo.
— Eu caí. Tava brincando no muro, correndo, acredita? Perdi o equilíbrio e caí de costas. O anjo caído, como você falou. Minha mãe deu aquele tal de ponto falso. Uniu as duas partes e colocou um esparadrapo bem largo. Ficou essa marca.
— Coitadinho. Vem pra cá, vem.
— Eu tenho de ir embora.
— Fica mais.
— Não dá.
— Pra que a pressa?
— Eu vou pegar minha roupa na sala.
O menino saiu do quarto. Ele ficou na cama. Uma cicatriz tão bem feita, como se tivesse sido feita por uma navalha, uma faca.
— E você caiu em cima do quê? Gritou para o outro na sala.
— Hein?
— Quando você caiu do muro, onde você se cortou?
Da sala não veio nenhuma resposta. Ele se levantou e foi até a sala. Estava vazia. Chamou pelo outro.
— Diga.
O menino estava parado na porta da cozinha, ainda nu. As roupas embrulhadas na mão, escondendo parte do corpo ainda adolescente. Ele já tinha vinte anos, mas a carinha era de menino. E perto do outro, bem mais velho, parecia ainda mais garoto.
— Tava com sede. Você não se incomoda de eu ter aberto a geladeira, não é?
— Não, não. Claro que não. E eu nem ofereci nada. Quer comer alguma coisa?
O menino se aproximou. Pegou em seu queixo e o beijou.
— Eu tenho tudo que eu quero aqui.
De novo estavam entrelaçados. As roupas foram deixadas no chão. Ele suspendeu o menino nos braços e o levou de volta para o quarto, pra a cama. Jogou todo o seu peso sobre o corpo franzino. As mãos apertavam as coxas, a cintura, deixavam uma vermelhidão na pele branca. Eles começavam a se amar de novo.
— Eu preciso mesmo ir embora, disse o menino.
— Você não vai mesmo dizer como você se cortou assim nas costas.
O menino estava embaixo dele, totalmente submetido a sua força. Tentou afastá-lo um pouco. Olhava sério, até que explodiu numa risada divertida.
— Como você é curioso.
— Demais.
— Eu caí do muro, já disse.
— E...
— E me cortei em alguma coisa, uma pedra, sei lá. Eu gostava muito de correr em cima do muro. Brincava de pega-pega. Não lembro bem como foi.
Ele virou o menino de bruços e enquanto abria suas pernas, lambia a cicatriz.
— Parece faca. Parece que alguém tentou te cortar.
Ele falava enquanto pressionava todo o corpo sobre o menino.
— Fala a verdade, fala.
— Tá pesado.
— Fala!
— Tá bom. Mas você não vai acreditar. É uma história tão maluca. E faz tanto tempo que eu minto. Nem sei se sei falar a verdade sobre isso.
— Quero ver você falando a verdade.
— Como é? Tá me chamando de mentiroso?
Ele ficou olhando para o menino sem falar nada.
— Tá, né?
— Não é isso. É que você nem quis dizer seu nome.
— Mas eu não menti. Eu só não quis falar. Eu também não quis saber o seu.
— Eu posso contar.
— Não. Vamos ficar assim. Sem nomes.
— Se eu soubesse seu nome, podia lhe conhecer melhor.
O menino olhou sério para ele.
— Nomes não mostram nada, não. Só escondem mais. Se eu me chamasse Gabriel ou Miguel, como esses anjos aí, ia fazer alguma diferença? Você nem ia ver direito quem eu sou.
— Mas eu não to vendo agora.
O menino foi até a janela.
— E se eu me chamasse Ariel? É um nome de anjo, não é? Também é o nome daquele espírito do ar daquela peça. Se eu me chamasse Ariel, eu podia voar?
— Afasta daí, vai.
Ele sentou na janela, os braços abertos. Segurava-se pela ponta dos dedos nas laterais da janela.
— Escolhe um nome de anjo pra mim e minhas asas vão nascer.
— Pára de brincadeira. Desce daí.
— Você tem de escolher o nome certo. Se for o nome certo, terei asas. Se você errar, vou cair daqui e me espatifar na rua lá embaixo.
Ele não sabia o que fazer. Aquele menino pendurado em sua janela. Tão jovem. Tão violentamente jovem e magro. Seu corpo ficou pesado e cada vez mais velho. Ele não tinha força para pular e agarrar o menino. Um só passo e o alcançaria. Era um homem grande, forte. Bastaria um gesto e o pegaria. Quando o encontrou na rua, parecia ser tão inofensivo. Não haveria perigo de levar aquele garoto para casa. Poderia dominá-lo tão facilmente. Depois, descobriu que não era tão jovem assim. Vinte anos. Veio a hora dos nomes. É preciso dizer o nome quando se conhece alguém.
— Vamos nos conhecer sem nomes. Ele disse.
Mas como não querer saber o nome daquele menino tão doce e encantador. Ele queria conhecer mais e mais o garoto. Sentia até que queria algo mais do que uma noite. Entrou naquela carne com se voltasse para casa. Era o lugar onde queria estar, tanto tempo sozinho. Podia estar carente, iam dizer os amigos, mas naquele momento achava que estava certo. O menino era como um anjo mesmo.
E, de repente, toda aquela conversa doce e inofensiva de anjos descambava para aquilo. Um menino pendurado em sua janela. A qualquer momento podia se jogar. O corpo estendido no asfalto lá embaixo. O escândalo.
— Desce daí, vai. Isso não tem graça nenhuma
— O nome. Diz o nome. Com um nome você me salva ou me mata.
O menino soltou os dedos. O homem se jogou e o agarrou a tempo. Com uma força tirada da tensão, puxou o menino com violência e jogou na cama.
— Você é maluco?
— Você me salvou. Meu herói.
Ele estourou uma gargalhada!
— E quem lhe salva, agora?
O menino gargalhava descontroladamente. O homem atônito.
— O que foi agora, cara?
— Você me salvou. E você, quem salva. Dizia o menino entre risos. — Agora você tem de cuidar de mim. Isso é praticamente uma lei universal.
— Cuidar de você?
— É. Cuida de mim.
A voz dele ficou doce e carente. O homem sentiu o corpo esfriar. O sangue se acalmava nas artérias. Ele se sentia como se estivesse caindo num abismo. Um escuro abismo. Tudo desabava lentamente, a explosão do gesto anterior de puxar o garoto da janela se esvaziando aos poucos. O menino se enrolou no lençol, como um bebê. Apenas as costas à mostra. Parecia esconder no lençol um choro. Pelo menos foi isso que o homem pensou que acontecia. Sem ver, via o que queria. Era apenas um pequeno anjo desamparado aquele menino. Sem nome, apenas esperava alguém que o acolhesse. O homem deitou a seu lado e abraçou aquele corpo delicado. Voltou a beijar a cicatriz nas costas. O lugar de onde tinham tirado a asa daquele anjo, de onde tinham tirado a inocência. Ele sentia cada vez mais que aquele menino lhe pertencia e que sua vida deveria pertencer àquele menino. Sem nome, ele, encontrado na rua, um menino que poderia ser um assaltante, tão falsa aquela história de colégio de freiras! Por outro lado... não, não havia um outro lado. Nada em que pudesse se agarrar. Tudo era perigo. Mas por que sentia tanta certeza? Ele cabia exato nos seus braços. Poderia caber exato na sua vida. Ele sabia, apesar de tudo que vinha contra, ele sabia que tudo acabaria bem.
— Eu vou cuidar de você!
***
— Foi uma freira
— O quê?
— A cicatriz. Foi uma freira.
— Uma freira?
— No colégio, eu era interno lá, tinha uma freira, Irmã Undira, que gostava muito de mim. Tinha verdadeira obsessão. Era ela que sempre me fazia ser o anjo nas peças. Acho que ela acreditava que eu era um anjo.
— Undira. Que nome diferente. É Italiano?
— Não sei.
— O que ela tem a ver com essa cicatriz?
— Você vai achar que eu estou mentindo.
— Conte.
— Eu já tinha uns onze anos. Ela ainda queria que eu fosse o anjo na peça. Eu estava grande demais pra isso. Não queria. Mas a idéia dela era fixa em mim. Parecia que ela queria mais de mim, sabe? Vivia me apalpando discretamente. Um dia ela me chamou na oficina do colégio. Era lá que ela fazia as roupas de todas as peças do colégio. Queria me mostrar uma nova asa de anjo. Eu não imaginava que algo assim pudesse acontecer. Fui lá, obediente. Tirei a camisa como ela mandou e me sentei. Não cheguei a ver a asa. Eu só lembro da dor, como se uma faca afiada tivesse sido cravada nas minhas costas.
O homem olhava calado o relato do menino. Estavam deitados. O menino estava de bruços. Não era possível ver seu rosto. A voz era calma.
— Gritei muito e fugi. Corri muito pelos corredores do colégio, até chegar ao refeitório. Lá, desmaiei nos braços da cozinheira. Lembro de ter sido levado ao hospital. Fiquei dois dias lá. Quando voltei, disseram que a Irmã Undira tinha ido embora para um outro convento. Não era verdade, um dos meninos disse que encontraram a Irmã na oficina, morta. O corpo numa enorme poça de sangue. As freiras não deixaram ninguém saber. Esse meu colega só soube porque ouviu uma história atrás da porta. Você sabe como são essas coisas. Logo depois eu saí do colégio. Voltei pra minha cidade no interior. Não fiquei muito por lá. Ganhei o mundo.
— Ela quis enfiar uma asa em você?
— Não sei. Podia ser mesmo apenas uma faca. Quem entende os loucos? Para mim ficou essa impressão, uma armação de ferro enfiada nas minhas costas. Eu seria um anjo de verdade. Você acredita nisso? Ela queria que eu fosse um anjo de verdade e enfiou aquilo em mim. Depois disso, tive de mentir em casa, dizer que tinha caído de um muro. Essa passou a ser a verdade. Uma das freiras, Irmã Fernanda, ficou um tempão me catequizando. Sabe aquela voz doce que as freiras têm? Ela, primeiro, me convenceu que era melhor não contar nada a ninguém. Depois, ficou repassando comigo a história até ela ficar bem redondinha, até virar verdade. As freiras me ensinaram muito, até a mentir bem, sabe? Todo mundo acreditou. Talvez nem tivessem acreditado, se eu contasse a verdade, tão doida essa história.
— É uma história muito estranha mesmo, difícil de acreditar.
— Tá vendo. Por isso que eu não queria contar. Agora você vai mesmo dizer que eu sou um mentiroso. Já sei. Você acha que eu me meti numa briga, sei lá, que eu sou um bandido e que essa cicatriz é uma prova da minha vida de crimes.
— Eu nem sei o que você faz pra viver.
O menino se virou para ele. O olhar tranqüilo.
— Eu também não sei o que você faz pra viver.
— Ah! Mas eu ...
— Já sei. Você tem esse apartamento, um carro... Quem garante que você não é um bandido dos grandes, um traficante, sei lá. Você também pode ser um maluco e querer me matar a qualquer momento.
— Você não vai dar uma de doido de novo, vai?
— Quer que eu vá embora?
— Não, não é isso.
— Olha, eu posso ir. Tudo bem.
— Eu quero que você fique. Não disse que ia cuidar de você?
— Disse.
— Então? Eu só queria saber o que você quer de mim.
— Muito pouco.
— muito pouco?
— Mas eu pensei...
O menino abriu novamente seu sorriso. Novamente ele brincava. O sorriso era doce e ao mesmo tempo ácido, dissolvendo com sua química tudo o que ele dizia. Num segundo suas palavras eram verdade, no outro o sorriso denunciava uma mentira. O homem estava novamente jogado à dúvida. Uma pequena brincadeira como essa fazia com que ele duvidasse da história das freiras. Tão inacreditável mesmo. E tudo naquele menino levava a essa insegurança. Mais uma vez ele se agarrava à certeza de seu coração. Tudo estava certo. Ele sentou sobre a cama, em cima do menino. Suas pernas prendiam os braços dele. Num único gesto ele imobilizava o outro. Sua força dominava tudo. O beijo começou forçado. Depois, foi se harmonizando, ficando apaixonado. Quando o menino já estava entregue, ele soltou os braços dele de suas pernas.
— Eu vou lhe dar tudo que você quiser.
— Tudo mesmo?
— hum, hum!
— Então você pega água pra mim?
— como?
— Água.
O homem riu divertido.
— Mas você não leva nada a sério, hein?
— É que eu ainda tô com sede. Isso é sério
— Tá bom. Eu vou pegar água pra você. Fica aqui quietinho, viu?
— Eu vou ficar. Bem quietinho mesmo.
Ele se levantou. O menino ficou na cama olhando para ele. Parecia tão tranqüilo. O homem também estava tranqüilo. Encontrara de alguma forma alguém para ter, cuidar, amar talvez. Não importava muito se era um garoto ainda tão perdido, tudo se ajeitaria. Passou pela sala, viu as roupas emboladas no chão. Tinha feito um novelo com as roupas, pareciam um pacote. Um bagunceiro, pensou. Ele se educaria. Tudo ficaria bem. Fora do quarto, não podia vê-lo e não o vendo, poderia ver o que quisesse. Assim, ele via um garoto perdido pronto para ser encontrado, um anjo de uma asa só, se debatendo para voltar a voar. Ele o ajudaria. Faria dele alguém - o seu alguém – e então ficaria em paz.
Entrou na cozinha. Ela estava na mais absoluta ordem, como gostava de deixar. Ele espera uma mínima bagunça. Um copo em cima da pia, a garrafa fora da geladeira. Talvez a geladeira aberta. Nada. Nenhum vestígio de que o menino tivesse bebido água mais cedo. Da ordem absoluta, havia apenas uma falha: a gaveta de talheres imperceptivelmente entreaberta. Um alarme estourou na sua cabeça. Ele não abriu a gaveta, mas o que não via se mostrava nítido em sua cabeça. Parecia tão claro. Todas as cenas voltaram como um relâmpago. As conversas. Tudo em velocidade, até um momento se fixar. O sorriso do menino tilintando atrás de uma frase.
— Quem te salva?
Ele lembrou. Num instante rápido, quis que nada disso tivesse acontecido, queria não ter se deixado levar por... Devia ter tomado mais cuidado. Queria retroceder, escapar, mas tinha ido longe demais, já estavam num ponto em que não se pode mais voltar.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

M.

Cinco sentidos

tem a mão do menino na escola.

Antes do mundo ele aprende as portas,

Mas hesita na pergunta:

entro?

O olho fixo no misterioso centro

da palma.


In pequeno inventário das ausências, Fundação Casa de Jorge Amado/Copene, 2001.

domingo, 23 de janeiro de 2011

FAZIMENTO

Tece o fio,

prepara a alma,

cuida que esteja pronta

para a feitura.


Trança a malha,

ama a trama

que o prazer é

o fazimento.


Ponto por ponto

sem estar findo,

tecido da vida

por se fazer.

In pequeno inventário das ausências, Fundação Casa de Jorge Amado/Copene, 2001.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O vestir de cada um

No dia 22 de novembro de 2010, aconteceu o primeiro encontro dos seminários de literatura brasileira da Universidade Federal do Recôncavo Baiano. Na ocasião, a estudante da disciplina Literatura Brasileira, ministrada por Carlos Ribeiro, apresentou a comunicação O VESTIR DE CADA UM sobre o livro 3 VESTIDOS E MEU CORPO NU. Agora, o texto está disponível da internet, no link abaixo


ou ainda

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Vão das Letras


Vão das Letras fechará o ano com música e poesia

A programação cultural contará com apresentação do Grupo Viola de Arame e bate-papo com os escritores Goulart Gomes, Marcus Vinícius, Lucas Jerzy e Rafael dos Prazeres

A última edição da Feira de Livros Vão das Letras de 2010, promovida pelo Núcleo do Livro, Leitura e Literatura da Fundação Pedro Calmon/SecultBa, em parceria com o Teatro Castro Alves e a Câmara Bahiana do Livro (CBaL), ocorrerá no dia 19 de dezembro, das 12h30, às 18h, no Vão Livre do TCA (Campo Grande). O evento trará uma variedade de livros com preços especiais de final de ano, além de uma programação cultural, voltada para a promoção da música, do livro e de autores baianos.

No local, o público também terá acesso a artesanato do Bazar da Rampa. A entrada é gratuita e aberta a toda família. A Feira acontecerá junto ao projeto Domingo no TCA que, neste dia, trará o Balé Teatro Castro Alves, apresentando a montagem “À Flor da Pele”, na Sala Principal, às 11 horas, com ingressos a R$ 1 (inteira), sendo vendidos no mesmo dia, a partir das 9 horas, com o acesso imediato do público.

A abertura da Feira será com o show instrumental do grupo Viola de Arame, que apresentará ao público um repertório que passeia pelos ritmos e melodias do samba chula, do pagode de viola, do baião, do choro, e ainda outras fusões inusitadas, através de releituras de temas populares e de composições próprias. Os músicos multi-instrumentistas, Júlio Caldas e Cássio Nobre, apresentam neste trabalho alguns dos resultados de suas experiências com a viola caipira (ou viola de arame).

Escritores - Para o momento da Conversa com o Escritor, o NLLL convidou quatro artistas da palavra, que falarão sobre suas vivências criativas e participação em concursos literários. Os escritores que estarão em contato com o público serão Goulart Gomes, Marcus Vinícius, Lucas Jerzy e Rafael dos Prazeres, autores que têm em comum o fato de todos terem ganhado prêmios no Estado do Paraná em 2009. Marcus Vinícius ficou em primeiro lugar no Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio – 2009, da Secretaria de Cultura do Paraná, com o conto: A omoplata. Neste mesmo concurso, Lucas Jerzy foi indicado para menção honrosa, com o conto: Os galos. Já Goulart Gomes e Rafael dos Prazeres foram contemplados no Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody 2009, da mesma Secretaria, com menção honrosa, com os poemas: Pluvial(Goulart) e Hipertexto de Fidelidade (Rafael).

A Feira é uma realização do Núcleo do Livro, Leitura e Literatura da Fundação Pedro Calmon/SecultBa, em parceria com o Teatro Castro Alves e a Câmara Bahiana do Livro (CBaL). No Vão das Letras, os soteropolitanos encontrarão exposição de livros das livrarias RV Quadrinhos e Mídia Louca, além das editoras Grupo Editorial Record, Edufba e os Sebos Cantinho da Pituba e Sebo Praia dos Livros, entre outros. Outras editoras e escritores independentes interessados em comercializar suas obras no local, devem procurar a CBaL para confirmar sua presença.

Biografias - Goulart Gomes nasceu em Salvador. É administrador de empresas, com pós-graduação em Literatura Brasileira e em Gestão de Comunicação Integrada. Fundador do Grupo Cultural Pórtico (1995) e criador da linguagem poética Poetrix (1999). Obteve 65 prêmios em concursos de poesia, prosa e festivais de música e participou de 48 coletâneas publicadas no Brasil, Cuba, Espanha, USA, Itália, França e Coréia do Sul.

Marcus Vinícius Rodrigues nasceu em Ilhéus-BA, é advogado, professor, e Mestre em Letras pela UFBA. Publicou os livros Pequeno inventário das ausências(Prêmio Brasken) - poesia; 3 vestidos e meu corpo nu (Ed P55, 2009) - contos. Já participou de várias antologias, e é ganhador de diversos concursos literários.

Lucas Jerzy psicólogo, pós-graduado em Saúde Mental pela FAMED-UFBA. Mantém o blog de crítica cultural O Último Baile dos Guermantes (www.ultimobaile.com). Tem contos, crônicas e poemas premiados e agraciados com menção honrosa em diversas premiações literárias de âmbito nacional como a XX Noite Nacional de Poesia (3º lugar, Campo Grande, MS, 2007), Fundação Cultural de Canoas - RS (1º lugar, crônicas, 2009).

Rafael dos Prazeres é natural de Recife-PE e radicado em Salvador-BA há 20 anos. Professor da língua Portuguesa e graduado em Língua e Literaturas Inglesas, é autor de textos publicados em jornais da Bahia, Paraná e Rio de Janeiro; em revistas universitárias e na internet. No último ano publicou Simbiose, livro de poesia; um verbete no Dicionário de Personagens Afro-Brasileiras.

Serviço:

O que: Feira de Livro Vão das Letras

Onde: No Vão Livre do Teatro Castro Alves – Campo Grande

Quando: Dia 19 de dezembro (domingo), das 12h às 18h

Quanto: Grátis

Contato: (71) 3116-6677

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Diálogos - Panorama da nova poesia grapiúna

Mais conhecida fora da Bahia por conta da obra de Jorge Amado e Adonias Filho, a região Grapiúna, cujas cidades pólo são Ilhéus e Itabuna, onde se desenvolveu o cultivo do cacau, também viu nascerem poetas de fundamental importância para a literatura baiana, como Adelmo Oliveira, Ildásio Tavares, Abel Pereira e Florisvaldo Mattos, apenas para citar alguns.

Calcados nessa forte tradição, uma nova geração de poetas grapiúnas foram apresentados em Diálogos – Panorama da Nova Poesia Grapiúna (Ilhéus/Itabuna: Via Litterarum/Editus, 2009), obra organizada pelo poeta e ensaísta Gustavo Felicíssimo. Aos dez antologiados da primeira edição – Edson Cruz, Heitor Brasileiro Filho, Noélia Estrela, Piligra, George Pellegrini, Rita Santana, Fabrício Brandão, Daniela Galdino, Mither Amorim e Geraldo Lavigne – juntam-se, agora, em segunda edição, mais dois poetas – André Rosa e Marcus Vinícius Rodrigues – dessa vez com sete poemas cada um, contra cinco da primeira edição. São doze poetas (alguns deles bastante premiados) que já estão inseridos entre aqueles que produzem a melhor poesia baiana, quiçá brasileira, deste início de século.

A segunda edição, revista e ampliada, de Diálogos, será lançada no próximo dia 11 de dezembro, às 18 horas, na Academia de Letras de Ilhéus, oportunidade em que haverá um bate-papo com Jorge de Souza Araújo, prefaciador da obra, sobre a poesia baiana contemporânea.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

EVENTOS

TERRITÓRIOS DA FICÇÃO - BRASIL SÉCULO XXI
Auditório Hansen Bahia.

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA

CAMPUS II

O seminário TERRITÓRIOS DA FICÇÃO – BRASIL SÉCULO XXI terá início no dia 22/11, das 14 às 17 horas, no auditório da Fundação Hansen Bahia, com uma mesa-redonda sobre o tema Espaços da intimidade na ficção contemporânea, da qual participarão os escritores Állex Leilla e Marcus Vinícius Rodrigues. Serão lançados os livros Primavera nos ossos, de Állex Leilla (romance. Editora Casarão do Verbo, 2010) e Cada dia sobre a terra, de Marcus Vinícius Rodrigues (contos. EPP Edições, 2010) e feitas comunicações pelas alunas Janaína Ezequiel França (O sol que a chuva apagou, de Állex Leilla), Gabrielle Alano Carcavilla (3 vestidos e meu corpo nu, de Marcus Vinícius Rodrigues, e Laços de família, de Clarice Lispector) e Jana Cambuí Alves Lima (Vestígios da Senhorita B, de Renata Belmonte).



FÓRUM NACIONAL DE CRÍTICA CULTURAL 2:

EDUCAÇÃO BÁSICA E CULTURA:

DIAGNÓSTICOS, PROPOSIÇÕES, NOVOS AGENCIAMENTOS

18 a 21 de novembro de 2010

Dia 19/11/2010 (SEXTA-FEIRA) – SEGUNDO DIA

10:30 às 12:30 – MESAS SEMIPLENÁRIAS (MARGENS DA LITERATURA)

Mesa 2 - Local: Auditório do Campus II

Literatura e mídias: agenciamentos e entre-lugares nas configurações de gênero e sexualidades

Coordenador: Prof. Dr. Paulo Garcia (Pós-Crítica/UNEB)
Convidados:

Pesquisador convidado: Prof. Dr. Djalma Thürler (Instituto de Humanidades, Artes e Ciências – IHAC/UFBA) - Dramaturgia e Produção cultural
Personalidade cultural: Marcus Vinicius Rodrigues, escritor
Personalidade da Educação Básica: Állex Leilla (UEFS)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

CADA DIA SOBRE A TERRA

Enfim, ficou pronto o livro CADA DIA SOBRE A TERRA. Vocês podem ver a capa escaneada. Um livro cor de terra, com letras douradas, mais a ilustração de Fernando Oberlaender, bem na intenção do livro, cuja epígrafe é:


Procura no detalhe o que divino e o que é selvagem.

sábado, 11 de setembro de 2010

CADA DIA SOBRE A TERRA

Chegaram as provas do livro. Agora é revisar. Cada dia é governado por um princípio, uma energia, um Orixá.