domingo, 25 de abril de 2010

Convite Cartas Bahianas

Aí está nosso convite. O livro de Karina não tem uma imagem porque é quase invisível, simples e sofisticado.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Eros resoluto e O livro do quase invisível

O lançamento da Coleção Cartas Bahianas dia 04 de maio de 2010, terça-feira, das 19h às 22h,
será dos livros


Livro do quase invisível
de Karina Rabinovitz (poesia)

e


Eros Resoluto
de Marcus Vinícius Rodrigues (contos)



Livraria Tom do saber, Rio Vermelho
Rua João Gomes, 249 - Localizado no complexo Pirâmide do Rio Vermelho - (71)3334-5677



quarta-feira, 21 de abril de 2010

Eros resoluto

Eros resoluto, pela Coleção Cartas Bahianas

Nasceu o livro. Aí está a capa. A cor não é exatamente essa. Será um tom de rosa mais escuro. Escolhi hoje a cor. Procurava um azul, mas o rosa se impôs.


O desenho da capa é meu. Fiz com o dedo no meu iphone. Já tinha publicado aqui. Aliás, todas as imagens do livro são minhas. Dentro, cada conto é ilustrado com uma foto feita por mim de esculturas. Está muito bonito.


Data do lançamento: 4 de maio de 2010, Terça-feira, na Livraria Tom do Saber, no Rio Vermelho


segunda-feira, 19 de abril de 2010

Para Eugénio de Andrade

Hoje acordei com saudades de Eugénio de Andrade. Aí vai um poema dele e, abaixo, um poema meu para ele, que conheci (os livros) apenas quando já estava perto de sua partida deste mundo. Escrevi o poema quando ele já estava doente.

É urgente o amor.

É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,

ódio, solidão e crueldade,

alguns lamentos,

muitas espadas.

É urgente inventar alegria,

multiplicar os beijos, as searas,

é urgente descobrir rosas e rios

e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz

impura, até doer.

É urgente o amor, é urgente

permanecer.

PARA EUGÉNIO DE ANDRADE

Sei de ti há tão pouco

e tão pouco sei

e ainda assim

sinto-me íntimo.

Tanto é o muito neste pouco.

O que pra mim era o mundo

mostra-se oco

de não te ter no meu passado.

Eu que sou feito de memória e saudade,

esta palavra tão nossa

a unir-nos de porto a porto,

a fazer do mar que nos separa

o mar que nos abraça.

Eu te abraço,

eu te aconchego,

faço-me teu

leito de águas,

antes de vir a barca.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Livros e livros

Há algum tempo disse aqui que estava escrevendo um livro. Estou. Vai ser lançado em agosto, tudo indica. Trata-se de um livro de contos sobre a Bahia e tem, até agora, o nome de CADA DIA SOBRE A TERRA.

Antes, porém, uma surpresa.

Parece que vou lançar outro livro ainda em maio, dia 4, pela coleção Cartas Bahiana, da P55.

O livro se chama EROS RESOLUTO e tem três contos apenas. Os contos têm como temática o desejo homoerótico e entre eles está A OMOPLATA, conto que venceu o concurso Newton Sampaio 2009, da Secretaria de Cultura do Paraná.

Os outros dois contos são:

A PAZ QUE CHEGA NO DEPOIS e

A TARDE DE UM FAUNO

Darei mais informações quando tudo se confirmar.

A tarde de um fauno, Flory Gama, 1948,
Museu de Belas Artes, Rio de Janeiro. foto minha.

domingo, 28 de março de 2010

S.O.T.E.R.Ó.P.O.L.I.S

Esta cidade,

que se despeja poente abaixo,

calçada de pedra,

antiga e moderna

no jeito de deslizar contorcida,

difíceis as subidas de suas ladeiras,

esta cidade não se salva.


Na forma como canta

sempre o sol que deita

e de como se espanta

do dia quente que a encontra

ainda no deleite do amor,


e esse homem

lhe contando as lendas

cativante e antigo,

e esse outro arrancando-lhe

o futuro do umbigo,


e a espera

nesta beira de terra

debruçada sobre o mar,

como aquela deusa vaidosa

ou aquela outra,


a face multiplicada nas águas

devastando o tempo

os seus mirantes cansados.


Esta cidade não se salva.

.

.

.

.

.


segunda-feira, 8 de março de 2010

sexta-feira, 5 de março de 2010

L'albatros par Charles Baudelaire

Souvent, pour s'amuser, les hommes d'équipage
Prennent des albatros, vastes oiseaux des mers,
Qui suivent, indolents compagnons de voyage,
Le navire glissant sur les gouffres amers.

A peine les ont-ils déposés sur les planches,
Que ces rois de l'azur, maladroits et honteux,
Laissent piteusement leurs grandes ailes blanches
Comme des avirons traîner à côté d'eux.

Ce voyageur ailé, comme il est gauche et veule!
Lui, naguère si beau, qu'il est comique et laid!
L'un agace son bec avec un brûle-gueule,
L'autre mime, en boitant, l'infirme qui volait!

Le Poète est semblable au prince des nuées
Qui hante la tempête et se rit de l'archer;
Exilé sur le sol au milieu des huées,
Ses ailes de géant l'empêchent de marcher.



O Albatroz
Tradução de Ivan Junqueira

Às vezes, por prazer, os homens da equipagem
Pegam um albatroz, imensa ave dos mares,
Que acompanha, indolente parceiro de viagem,
O navio a singrar por glaucos patamares.

Tão logo o estendem sobre as tábuas do convés,
O monarca do azul, canhestro e envergonhado,
Deixa pender, qual par de remos junto aos pés,
As asas em que fulge um branco imaculado.

Antes tão belo, como é feio na desgraça
Esse viajante agora flácido e acanhado!
Um, com o cachimbo, lhe enche o bico de fumaça,
Outro, a coxear, imita o enfermo outrora alado!

O Poeta se compara ao príncipe da altura
Que enfrenta os vendavais e ri da seta no ar;
Exilado no chão, em meio à turba obscura,
As asas de gigante impedem-no de andar.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Verlaine - Chanson d'automne

Les sanglots longs

Des violons

De l'automne

Blessent mon coeur

D'une langueur

Monotone.

Tout suffocant

Et blême, quand

Sonne l'heure,

Je me souviens

Des jours anciens

Et je pleure.

Et je m'en vais

Au vent mauvais

Qui m'emporte

Deçà, delà,

Pareil à la

Feuille morte.

terça-feira, 2 de março de 2010

Tempo de prosa

Dias cheios estes.
Ando ocupado com a tarefa de escrever um livro de contos, um livro que, talvez, ainda esse ano publique. Trata-se de um livro temático, composto por apenas sete contos. Ainda não posso falar o título nem do que se trata. Nem sei se vai dar certo! Agora há pouco, acabei o primeiro conto e, depois de muito pensar nele, acho que sua realização não ficou boa. terei de pensar melhor. Vai para a gaveta por enquanto. Imediatamente comecei outro que já estava pensado. Penso todos os contos antes, mas na hora de escrever mesmo é uma aventura, é quando você vai conhecendo melhor aquelas pessoas. Este, vejam só, pensei em fazer na primeira pessoa, mas já na segunda linha me traí e ele ficou na terceira pessoa. Vou colocar a seguir o primeiro parágrafo.
Comentem!

Não precisava de todos os sentidos para saber que a casa acordava, por isso não abria os olhos. Para quê? Sabia que as cortinas estavam fechadas e que sua mãe só viria bem mais tarde, quando tivesse certeza de que ele já tinha acordado, ou quando decidisse que ele deveria acordar. Então, ela entraria silenciosa no quarto, pegaria suas roupas sujas no chão e com cuidado verificaria se o pouco barulho que fez serviu para acordar o filho. Se não, abriria a janela deixando que o vento se encarregasse de balançar as cortinas e fazer entrar a luz da manhã. Hoje, ele sabia, ela viria bem mais tarde. Era preciso dormir muito, ela dissera na noite anterior, dormir sem pressa e só acordar depois que o mundo se acomodasse de novo. Ele dormiu pouco. Foi uma noite de sobressaltos em que do nono profundo despertava para o susto, como se algo lhe expulsasse dos sonhos. Nestes momentos acordado, a casa pulsava num silêncio despovoado. Ele tentava escutar a mãe, a tia e a avó em seus quartos, algum vestígio da noite que tiveram, mas nada ouvia. O cansaço logo vinha e o sono retornava. Toda a noite passou assim, até que reconheceu os primeiros barulhos da manhã.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Dois poemas

Todo poeta tem poemas como esses abaixo: um de que todos gostam, que sempre é lembrado; e outro de que o poeta gosta muito, mas que não é percebido pelos outros.


POEMA DE QUE TODOS GOSTAM


Pipas


Todas as pipas que tive

não as vi voando

míope que sou.

Só o barbante suspenso,

o farelo de vidro.

No alto, puxando,

a pipa invisível.

vem voar comigo.

Hoje não. Estou de castigo.


POR QUE GOSTAM: o que alcança as pessoas é o tom de infância que o poema traz


POEMA DE QUE GOSTO


Ave


Parte-se no ar

a asa,

esvai-se

o voo exato.


Cai vermelha,

grave,

a ave.


rodopia

debate-se

parte-se

no piso.


Não sobrevivo.


POR QUE GOSTO: gosto do ritmo e da cena que é descrita. Ao mesmo tempo musical e visual. Talvez não seja um poema relevante, enfim, mas gosto muito.


foto minha

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O melhor café de Salvador


Café com leite e torta alemã na Sala de arte do PAC (pavilhão de aulas do Canela), campus da UFBA. Gosto de café e já passei por todos os tipos: capuccino, machiatto, frapuccino... mas bom mesmo é o simples café com leite. O do circuito sala de arte é imbatível, exceto o da sala vivo. lá compraram uma máquina diferente. não é a mesma coisa. Vou à Sala de arte do PAC quando tenho tempo antes das aulas da noite na Faculdade ali perto. É sempre um momento de tranquilidade no meio da semana. No momento em que tirei a foto com meu celular, tocava um instrumental de Manhã de Carnaval. Ouvia essa música quando criança, numa gravação de João Gilberto. Eram os tempos de ouvir música com o encarte do LP na mão, acompanhado a letra, tempos lentos e contemplativos.