terça-feira, 25 de janeiro de 2011

M.

Cinco sentidos

tem a mão do menino na escola.

Antes do mundo ele aprende as portas,

Mas hesita na pergunta:

entro?

O olho fixo no misterioso centro

da palma.


In pequeno inventário das ausências, Fundação Casa de Jorge Amado/Copene, 2001.

domingo, 23 de janeiro de 2011

FAZIMENTO

Tece o fio,

prepara a alma,

cuida que esteja pronta

para a feitura.


Trança a malha,

ama a trama

que o prazer é

o fazimento.


Ponto por ponto

sem estar findo,

tecido da vida

por se fazer.

In pequeno inventário das ausências, Fundação Casa de Jorge Amado/Copene, 2001.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O vestir de cada um

No dia 22 de novembro de 2010, aconteceu o primeiro encontro dos seminários de literatura brasileira da Universidade Federal do Recôncavo Baiano. Na ocasião, a estudante da disciplina Literatura Brasileira, ministrada por Carlos Ribeiro, apresentou a comunicação O VESTIR DE CADA UM sobre o livro 3 VESTIDOS E MEU CORPO NU. Agora, o texto está disponível da internet, no link abaixo


ou ainda

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Vão das Letras


Vão das Letras fechará o ano com música e poesia

A programação cultural contará com apresentação do Grupo Viola de Arame e bate-papo com os escritores Goulart Gomes, Marcus Vinícius, Lucas Jerzy e Rafael dos Prazeres

A última edição da Feira de Livros Vão das Letras de 2010, promovida pelo Núcleo do Livro, Leitura e Literatura da Fundação Pedro Calmon/SecultBa, em parceria com o Teatro Castro Alves e a Câmara Bahiana do Livro (CBaL), ocorrerá no dia 19 de dezembro, das 12h30, às 18h, no Vão Livre do TCA (Campo Grande). O evento trará uma variedade de livros com preços especiais de final de ano, além de uma programação cultural, voltada para a promoção da música, do livro e de autores baianos.

No local, o público também terá acesso a artesanato do Bazar da Rampa. A entrada é gratuita e aberta a toda família. A Feira acontecerá junto ao projeto Domingo no TCA que, neste dia, trará o Balé Teatro Castro Alves, apresentando a montagem “À Flor da Pele”, na Sala Principal, às 11 horas, com ingressos a R$ 1 (inteira), sendo vendidos no mesmo dia, a partir das 9 horas, com o acesso imediato do público.

A abertura da Feira será com o show instrumental do grupo Viola de Arame, que apresentará ao público um repertório que passeia pelos ritmos e melodias do samba chula, do pagode de viola, do baião, do choro, e ainda outras fusões inusitadas, através de releituras de temas populares e de composições próprias. Os músicos multi-instrumentistas, Júlio Caldas e Cássio Nobre, apresentam neste trabalho alguns dos resultados de suas experiências com a viola caipira (ou viola de arame).

Escritores - Para o momento da Conversa com o Escritor, o NLLL convidou quatro artistas da palavra, que falarão sobre suas vivências criativas e participação em concursos literários. Os escritores que estarão em contato com o público serão Goulart Gomes, Marcus Vinícius, Lucas Jerzy e Rafael dos Prazeres, autores que têm em comum o fato de todos terem ganhado prêmios no Estado do Paraná em 2009. Marcus Vinícius ficou em primeiro lugar no Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio – 2009, da Secretaria de Cultura do Paraná, com o conto: A omoplata. Neste mesmo concurso, Lucas Jerzy foi indicado para menção honrosa, com o conto: Os galos. Já Goulart Gomes e Rafael dos Prazeres foram contemplados no Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody 2009, da mesma Secretaria, com menção honrosa, com os poemas: Pluvial(Goulart) e Hipertexto de Fidelidade (Rafael).

A Feira é uma realização do Núcleo do Livro, Leitura e Literatura da Fundação Pedro Calmon/SecultBa, em parceria com o Teatro Castro Alves e a Câmara Bahiana do Livro (CBaL). No Vão das Letras, os soteropolitanos encontrarão exposição de livros das livrarias RV Quadrinhos e Mídia Louca, além das editoras Grupo Editorial Record, Edufba e os Sebos Cantinho da Pituba e Sebo Praia dos Livros, entre outros. Outras editoras e escritores independentes interessados em comercializar suas obras no local, devem procurar a CBaL para confirmar sua presença.

Biografias - Goulart Gomes nasceu em Salvador. É administrador de empresas, com pós-graduação em Literatura Brasileira e em Gestão de Comunicação Integrada. Fundador do Grupo Cultural Pórtico (1995) e criador da linguagem poética Poetrix (1999). Obteve 65 prêmios em concursos de poesia, prosa e festivais de música e participou de 48 coletâneas publicadas no Brasil, Cuba, Espanha, USA, Itália, França e Coréia do Sul.

Marcus Vinícius Rodrigues nasceu em Ilhéus-BA, é advogado, professor, e Mestre em Letras pela UFBA. Publicou os livros Pequeno inventário das ausências(Prêmio Brasken) - poesia; 3 vestidos e meu corpo nu (Ed P55, 2009) - contos. Já participou de várias antologias, e é ganhador de diversos concursos literários.

Lucas Jerzy psicólogo, pós-graduado em Saúde Mental pela FAMED-UFBA. Mantém o blog de crítica cultural O Último Baile dos Guermantes (www.ultimobaile.com). Tem contos, crônicas e poemas premiados e agraciados com menção honrosa em diversas premiações literárias de âmbito nacional como a XX Noite Nacional de Poesia (3º lugar, Campo Grande, MS, 2007), Fundação Cultural de Canoas - RS (1º lugar, crônicas, 2009).

Rafael dos Prazeres é natural de Recife-PE e radicado em Salvador-BA há 20 anos. Professor da língua Portuguesa e graduado em Língua e Literaturas Inglesas, é autor de textos publicados em jornais da Bahia, Paraná e Rio de Janeiro; em revistas universitárias e na internet. No último ano publicou Simbiose, livro de poesia; um verbete no Dicionário de Personagens Afro-Brasileiras.

Serviço:

O que: Feira de Livro Vão das Letras

Onde: No Vão Livre do Teatro Castro Alves – Campo Grande

Quando: Dia 19 de dezembro (domingo), das 12h às 18h

Quanto: Grátis

Contato: (71) 3116-6677

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Diálogos - Panorama da nova poesia grapiúna

Mais conhecida fora da Bahia por conta da obra de Jorge Amado e Adonias Filho, a região Grapiúna, cujas cidades pólo são Ilhéus e Itabuna, onde se desenvolveu o cultivo do cacau, também viu nascerem poetas de fundamental importância para a literatura baiana, como Adelmo Oliveira, Ildásio Tavares, Abel Pereira e Florisvaldo Mattos, apenas para citar alguns.

Calcados nessa forte tradição, uma nova geração de poetas grapiúnas foram apresentados em Diálogos – Panorama da Nova Poesia Grapiúna (Ilhéus/Itabuna: Via Litterarum/Editus, 2009), obra organizada pelo poeta e ensaísta Gustavo Felicíssimo. Aos dez antologiados da primeira edição – Edson Cruz, Heitor Brasileiro Filho, Noélia Estrela, Piligra, George Pellegrini, Rita Santana, Fabrício Brandão, Daniela Galdino, Mither Amorim e Geraldo Lavigne – juntam-se, agora, em segunda edição, mais dois poetas – André Rosa e Marcus Vinícius Rodrigues – dessa vez com sete poemas cada um, contra cinco da primeira edição. São doze poetas (alguns deles bastante premiados) que já estão inseridos entre aqueles que produzem a melhor poesia baiana, quiçá brasileira, deste início de século.

A segunda edição, revista e ampliada, de Diálogos, será lançada no próximo dia 11 de dezembro, às 18 horas, na Academia de Letras de Ilhéus, oportunidade em que haverá um bate-papo com Jorge de Souza Araújo, prefaciador da obra, sobre a poesia baiana contemporânea.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

EVENTOS

TERRITÓRIOS DA FICÇÃO - BRASIL SÉCULO XXI
Auditório Hansen Bahia.

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA

CAMPUS II

O seminário TERRITÓRIOS DA FICÇÃO – BRASIL SÉCULO XXI terá início no dia 22/11, das 14 às 17 horas, no auditório da Fundação Hansen Bahia, com uma mesa-redonda sobre o tema Espaços da intimidade na ficção contemporânea, da qual participarão os escritores Állex Leilla e Marcus Vinícius Rodrigues. Serão lançados os livros Primavera nos ossos, de Állex Leilla (romance. Editora Casarão do Verbo, 2010) e Cada dia sobre a terra, de Marcus Vinícius Rodrigues (contos. EPP Edições, 2010) e feitas comunicações pelas alunas Janaína Ezequiel França (O sol que a chuva apagou, de Állex Leilla), Gabrielle Alano Carcavilla (3 vestidos e meu corpo nu, de Marcus Vinícius Rodrigues, e Laços de família, de Clarice Lispector) e Jana Cambuí Alves Lima (Vestígios da Senhorita B, de Renata Belmonte).



FÓRUM NACIONAL DE CRÍTICA CULTURAL 2:

EDUCAÇÃO BÁSICA E CULTURA:

DIAGNÓSTICOS, PROPOSIÇÕES, NOVOS AGENCIAMENTOS

18 a 21 de novembro de 2010

Dia 19/11/2010 (SEXTA-FEIRA) – SEGUNDO DIA

10:30 às 12:30 – MESAS SEMIPLENÁRIAS (MARGENS DA LITERATURA)

Mesa 2 - Local: Auditório do Campus II

Literatura e mídias: agenciamentos e entre-lugares nas configurações de gênero e sexualidades

Coordenador: Prof. Dr. Paulo Garcia (Pós-Crítica/UNEB)
Convidados:

Pesquisador convidado: Prof. Dr. Djalma Thürler (Instituto de Humanidades, Artes e Ciências – IHAC/UFBA) - Dramaturgia e Produção cultural
Personalidade cultural: Marcus Vinicius Rodrigues, escritor
Personalidade da Educação Básica: Állex Leilla (UEFS)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

CADA DIA SOBRE A TERRA

Enfim, ficou pronto o livro CADA DIA SOBRE A TERRA. Vocês podem ver a capa escaneada. Um livro cor de terra, com letras douradas, mais a ilustração de Fernando Oberlaender, bem na intenção do livro, cuja epígrafe é:


Procura no detalhe o que divino e o que é selvagem.

sábado, 11 de setembro de 2010

CADA DIA SOBRE A TERRA

Chegaram as provas do livro. Agora é revisar. Cada dia é governado por um princípio, uma energia, um Orixá.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

UM EPISÓDIO NA AMAZÔNIA

Humaitá vista do Rio Madeira

Há momentos da vida que ficam para sempre na memória. São vivos e intensos ali no tempo real dos acontecimentos; ganham mais cor logo a seguir, na primeira vez que são contados. Depois, quando guardados no escaninho da alma, vão esgarçando como tecido que se desfaz. É apenas o carinho de lembrar que lhes vem cerzir de novo. É na memória vaga, distante, que ganham sua forma definitiva, suas cores firmes. Tenho uma lembrança assim.

É uma lembrança verde brilhante, mais brilhante ainda por surgir em meio à sombra de uma floresta.

Morei no Amazonas quando criança. Tinha entre 10 e 11 anos quando estivemos em Humaitá, uma cidade pequena no encontro da Transamazônica e o Rio Madeira. Morávamos eu e meus pais. Meus irmãos estudavam em Manaus, no Colégio Militar. Sozinho, eu tinha em meu pai a presença mais constante para brincar. Era ele quem fazia para mim brinquedos de madeira, como uma jangada que guardei por muitos anos.

Um dia, ele resolveu me levar para caçar. De verdade, revendo hoje a história, creio que ele nem pretendia caçar mesmo. Era apenas uma aventura nossa juntos. Um passatempo sem objetivo sério. Ele caçava, sim, com os amigos, quando ficava dias fora de casa. Nossa aventura, porém, deveria ser mais leve. Atravessamos o rio Madeira em uma balsa, a outra margem misteriosa que eu via da praça da cidade à noite. Ou melhor, não via, pois para aquele lado não havia cidade. Uma ou outra casa mal iluminada por algum candeeiro. Nestas minhas noites olhando para o rio escuro, fantasiava ali o fim do mundo. As estrelas do céu — nunca mais vi tantas — se dobravam no espelho da água escura e ganhavam a companhia daquelas estrelas falsas dos candeeiros. Eu imaginava um abismo para o espaço sideral, o vácuo por onde passava um laboratório espacial, um satélite que ia cair a qualquer momento: o Skylab.

Daquele lado do rio, ficava a Lagoa do Paraíso. Talvez apenas um igarapé mais aberto, sem tantas árvores a lhe cobrir a lâmina d´água. Íamos muito para lá. Meu pai conhecia uma família que morava ali na beira, numa casa alta, preparada para sobreviver às cheias. Não foi bem para lá que fomos nessa viagem. Paramos antes, à beira da estrada, e entramos na mata para a tal caçada. Íamos sem nada além de uma espingarda na mão de meu pai. Entrar na floresta é sempre uma experiência excepcional. Lá dentro é noite. Embaixo das árvores fechadas, algumas com raízes mais altas que meu pai, e pisando apenas em folhas secas, uma camada tal grossa que nem se sente o chão, ali nem se pode pensar que é ainda terra. Tudo é mata, água e mosquitos. Tudo demasiadamente vivo.

E o que é vivo é úmido.

Para mim, aquele era o sentido da expressão ¨boca da Mata¨, que eu ouvia falar então. Só depois notei que em vários lugares se usa a expressão, tão comum como chamar uma cachoeira de véu de noiva.

Distraídos, nós nos perdemos. Ficamos algum tempo rodando sem saber onde ficava a estrada. Muito tempo, pareceu. Foi nessa procura que nos deparamos com um laguinho verde. Ali no meio das sombras daquelas árvores que cobriam tudo apareceu o inusitado de uma clareira sobre um lago redondo, apenas um pouco maior que a sala de minha casa de vila militar. Era inusitado porque tão pouco espaço podia estar também coberto, como tudo. No entanto, aquilo se abria para o céu e o sol entrava inteiro. O lago estava coberto por uma vegetação flutuante que nem sei dizer o que era. Não eram as tais vitórias-régias que já tinha visto tanto e que não me cansava de desenhar nos cadernos da escola. Eram apenas umas folhinhas miúdas e muito verdes e muito brilhantes e muito inesquecíveis.

Dali a algum tempo, ouvimos a estrada e seus carros. Achamo-nos, enfim.

Nunca esqueci dessa minha aventura de criança.

Outro dia, porém, tive notícias do mesmo momento, por um ponto de vista que até agora não conhecia. Foi meu pai quem se lembrou do episódio e, relembrando comigo, perguntou: você não ficou com medo? Eu respondi, muito natural, que não. Ele estranhou. Mas como? Eu fiquei com medo. Então, ocorreu-me algo, tão rápido que nem percebi. Só depois, ouvindo minha voz, surpreendeu-me a frase: é que o senhor estava sozinho com uma criança. Eu estava com meu pai!