quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Nó na garganta 1

Os falsos estão a nossa volta. Este ano, mais que os outros. Como uma revoada rumo ao sul, eles sentem os dias ruins chegando e começam a marcha sobre os bons e os puros. Roubam tudo que encontram no caminho, os gestos generosos, as pequenas delicadezas que nos ensinaram na infância e, principalmente, os sorrisos. Esta é a pior herança da falsidade. Ela nos obriga o sorriso artificial, de quem sabe e não pode falar, de quem é obrigado a ser cúmplice da falsidade, apenas por falta de provas. Sorri muito esse ano para os falsos que em meu entorno rodopiavam qual gaivotas, este pássaro que se disfarça de pomba branca do mar e não passa de rato com asas.

E de tanto sorrir, sucumbi, fui cooptado.

Deixem-me descansar agora, pois o novo ano virá e eles, como as gaivotas e os ratos, voltarão em sua onda nem branca nem negra, pois estão sempre cobertos de cinzas, a cor depois do fogo, o falso escuro, o falso dia...

Um comentário:

Vagando no Espaço disse...

Caro Marcus!
Gostei muito do seu blog...
Muito interessante!
Textos inteligentes e profundos... ainda não li tudo, mas registro a minha satisfação nesta postagem!
Parabéns!